O principal negociador do Irão, Mohammad Bagher Qalibaf,
afirmou hoje que as forças do país estão prontas para "dar
uma lição" em caso de
agressão norte-americana, após Donald Trump afirmar
que o cessar-fogo está em risco.
"As nossas forças armadas estão prontas para retaliar e dar
uma lição" em caso de agressão, escreveu o presidente do parlamento
iraniano na plataforma X.
"Estamos preparados para qualquer eventualidade; serão
surpreendidos", adiantou.
A trégua na guerra, iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra
o Irão em 28 de fevereiro, está no seu ponto mais crítico depois de o
próprio Trump ter considerado no domingo que a resposta de Teerão à
proposta de paz de Washington era "completamente inaceitável".
O Paquistão, país mediador nas negociações, confirmou ter recebido
a resposta iraniana à última proposta norte-americana, em plena escalada das
hostilidades de Teerão, que incluíram no domingo um ataque com
um drone contra um navio comercial em águas do Qatar.
Desde o início da ofensiva israelo-americana, o Irão mantém
sob ameaça militar o estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% dos
hidrocarbonetos mundiais antes da guerra, fazendo disparar os preços
internacionais.
Depois do fracasso da única ronda negocial formal, em Islamabad em
11 de abril, os Estados Unidos impuseram pelo seu lado um bloqueio naval aos
portos iranianos, como uma tentativa de asfixiar a economia da República
Islâmica.
Trump descreveu hoje a última proposta de paz do Irão como lixo e
alertou que o cessar-fogo em vigor se encontra sob "respiração
assistida", enquanto pondera o recomeço das operações militares no
estreito de Ormuz.
"Neste momento, o cessar-fogo ainda está em vigor, mas é
incrivelmente frágil, diria eu. O mais frágil que já esteve. E digo isto depois
de ler o lixo que nos enviaram. Ainda nem acabei de ler", disse o
governante aos jornalistas na Sala Oval da Casa Branca, referindo-se à última
proposta de Teerão.
O líder norte-americano afirmou que, ao ler o texto iraniano,
sentiu que estava a "perder tempo" e, por isso, considerou que o
cessar-fogo em vigor desde 08 de abril se encontra reduzido à condição de
"respiração assistida", como um médico que diz "o seu ente
querido tem exatamente 1% de hipóteses de sobreviver".
Anteriormente, Donald Trump disse, durante uma
entrevista telefónica com a Fox News, que estava a considerar relançar a
operação "Projeto Liberdade", que visa garantir proteção a centenas
de navios comerciais retidos pelo bloqueio iraniano no estreito de Ormuz, e que
foi brevemente implementada na semana passada.
O político republicano insistiu que a sua administração tem
"um plano", que consiste em garantir que a República Islâmica nunca
obtenha uma arma nuclear, e criticou que este compromisso estivesse omisso na
resposta de Teerão.
Donald Trump admitiu no entanto, em resposta a uma
questão da imprensa na Casa Branca, que uma solução diplomática continua a ser
"muito possível", apesar do impasse negocial.
