A Presidente mexicana anunciou hoje que vai partir um novo navio
com ajuda humanitária para Cuba, sob pressão crescente dos Estados Unidos e
novas sanções.

"Hoje parte um navio com ajuda humanitária para Cuba. De
alguma forma, para aliviar o sofrimento do povo cubano. Vamos continuar a
enviar ajuda humanitária", afirmou Claudia Sheinbaum na conferência de
imprensa diária na Cidade do México.

Este anúncio surgiu depois de Washington ter alargado recentemente
o âmbito das sanções contra Havana, de modo a abranger praticamente qualquer
pessoa ou empresa não norte-americana que tenha relações comerciais com a ilha,
especialmente nos setores da energia, da defesa, da segurança e das finanças.

Sheinbaum insistiu que o México "será sempre fraterno e
solidário com todas as nações do mundo, particularmente com Cuba", ao
mesmo tempo que lembrou a posição histórica do país face ao bloqueio
norte-americano.

"Vamos continuar a enviar ajuda humanitária a um povo que
dela necessita", sublinhou.

No final de fevereiro, o México enviou dois navios com mais de
1.000 toneladas de ajuda humanitária para a ilha caribenha, depois de no início
desse mês terem chegado à ilha outros dois navios mexicanos com mais de
814 toneladas de mantimentos e outros bens.

Quando questionada sobre se o México poderá enviar petróleo para a
ilha, a líder mexicana afirmou que Cuba já o está a receber da Rússia, pelo
que, acrescentou, o Governo mexicano está orientado para "outros apoios
humanitários".

Este envio de ajuda humanitária junta-se a outros anteriores, em
que o país norte-americano forneceu bens de primeira necessidade face à pressão
de Washington sobre Cuba.

Há duas semanas, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
garantiu que vai assumir o controlo de Cuba "quase imediatamente"
após concluir o trabalho no Irão, em referência à ofensiva iniciada em conjunto
com Israel no final de fevereiro contra a República Islâmica.

Desde janeiro, Washington intensificou a pressão económica sobre
Havana com um bloqueio petrolífero que impediu quase totalmente a entrada de
crude e combustíveis do exterior, tendo instado, em diversas ocasiões, o
Governo cubano a mudar o sistema económico e o regime político da ilha.

Ambas as partes reconheceram que mantêm conversações há mais de um
mês, mas, por enquanto, não foram divulgados os temas ou os avanços neste
diálogo.

Por seu lado, o secretário-geral da ONU, António Guterres,
insistiu que "não há qualquer solução militar" para Cuba e apelou
para um "diálogo construtivo", na sequência das ameaças de invasão
lançadas por Trump.