O padre Manuel Álvares foi hoje recordado como "um dos maiores exemplos daquilo que a Ribeira Brava foi capaz de dar ao mundo". As palavras são de Jorge Santos, presidente da Câmara Municipal, que participou numa mesa-redonda dedicada aos 500 anos do nascimento dessa figura cimeira do humanismo e da pedagogia, no âmbito da Semana da Cultura da Ribeira Brava.
A conversa foi moderada pelo jornalista Nicolau Fernandez e contou ainda com a participação do professor Gonçalo
Fernandes, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), uma das
instituições académicas parceiras na organização do evento científico.
Jorge Santos recordou que a obra do jesuíta
marcou a educação europeia durante séculos. O facto de um autor nascido num
território pequeno ter alcançado tal influência global é um sinal de que
"podemos ter impacto muito para além da nossa dimensão". O autarca destacou que o
legado de Álvares permanece actual por assentar no rigor e no método, algo
essencial num tempo de mudanças rápidas e avanços tecnológicos. "A
tecnologia avança, mas sem pensamento crítico e sem valores, fica incompleta",
defendeu o presidente, reforçando que as humanidades continuam a ser a base
necessária para interpretar o mundo e decidir melhor.
Por sua vez, o professor Gonçalo
Fernandes, da UTAD, referiu que ao contrário do que se possa pensar, o Padre
Manuel Álvares é o madeirense mais conhecido do mundo. “Daqui a 500 anos,
poucos se lembrarão do Cristiano Ronaldo, mas nessa altura alguém continuará a
falar do Padre Manuel Álvares e da sua gramática”, referiu o professor,
recordando que se trata de uma das pessoas mais importantes da história do
ensino em Portugal e a nível mundial com uma obra publicada em muitos países
através de mais de 1100 edições.
500 anos depois, Manuel Álvares
continua a ser importante para todos nós a vários níveis, seja no ensino, na
investigação, na cultura e na comunidade. “Não podemos ter uma visão unicamente
saudosista do padre Manuel Álvares, ele tem de ser mais, tem de ser um exemplo
como alguém que saiu da Ribeira Brava e se tornou na figura número 1 a nível
mundial nestas áreas”, assumiu o professor Gonçalo Fernandes.

