O Clube de Ecologia Barbusano, da Escola
Secundária de Francisco Franco, "realizou recentemente uma saída de campo, entre
a Choupana e a freguesia da Camacha, pela Levada da Serra do Faial", aproveitando para visitar uma "obra de vimes", tradição cada vez mais em desuso.
"Nas imediações da Choupana verifica-se
um predomínio de plantas exóticas invasoras, como acácias e eucaliptos, tendo
sido possível observar no terreno ações para controle deste tipo de vegetação", começa por relatar o que viram. "Em algumas áreas estas plantas foram arrancadas e colocadas paralelamente às
curvas de nível, tendo ocorrido um trabalho de reflorestação que deverá ser
melhorado. Vários exemplares que foram plantados morreram, sendo imprescindível
a sua substituição. Com muito agrado, foi possível verificar que esta levada
foi alvo de trabalhos de beneficiação", elogia.
Já na Camacha, "é de destacar a beleza da
paisagem na zona do Sítio do Vale Paraíso, sempre bonita independentemente da
altura do ano. O grupo percorreu a levada até ao Café do Moisés, tendo depois
se dirigido para o centro da freguesia, seguindo a vereda da Achadinha", frisa.
Já a parte da tarde "foi dedicada ao
artesanato da 'obra de vimes'. Trata-se de um património imaterial que corre o
sério risco de desaparecer, existindo atualmente pouquíssimos artesãos e
escasseando a matéria-prima – o vime", relembra. "Os sócios e não sócios do Clube de
Ecologia Barbusano tiveram a oportunidade de assistir a uma ação de
sensibilização sobre esta temática, pelo professor Alexandre do Carmo. Este
professor de Economia é natural da Camacha e foi, no passado, também ele
artesão", conta.
O grupo deslocou-se seguidamente "em
direção ao Sítio do Rochão, onde pôde presenciar ao descascar do vime e
participar neste processo. O cheiro característico do vime cozido, o som
peculiar da sua casca quando se solta da haste, assim como os amontoados de
cascas negras, fizeram lembrar os velhos tempos, quando este artesanato tinha
um peso relevante na economia desta freguesia e nesta azáfama participavam
graúdos e miúdos. A última etapa da
saída de campo consistiu numa visita a uma loja onde são vendidas peças feitas
em vime, artigos de grande beleza e utilidade", continua.
O Clube salienta que "é muito importante salvaguardar este
património imaterial, que faz parte da identidade madeirense, mas para isso é
fundamental reconhecer o seu valor. Este artesanato pode criar emprego,
contribuindo para a fixação das populações no meio rural e pode ajudar na
preservação da natureza, na medida em que os terrenos cultivados evitam a
expansão de plantas invasoras e a ocorrência de incêndios", identifica.
Terminam agradecendo "a amabilidade do senhor
padre óscar Andrade, por disponibilizar o salão paroquial da Igreja da Camacha
e à Direção da Casa do Povo da Camacha, pela cedência do seu auditório.
Agradece, igualmente, ao senhor José João e ao casal José Pedro e Lucinda, pela
forma atenciosa com que nos receberam. E, finalmente, um especial agradecimento
ao professor Alexandre do Carmo pela forma entusiástica com que se envolveu
nesta iniciativa".

