O líder regional e deputado do Chega na Assembleia
Legislativa da Madeira, Miguel Castro, aproveitou a sessão comemorativa do 25
de Abril para destacar o 25 de Novembro de 1975 como data complementar e indispensável
da revolução dos cravos, tendo também criticado o que classificou como
"poderes sem escrutínio" e "sistemas fechados" na
governação regional.

Numa posição que diverge da das restantes bancadas nesta
sessão comemorativa do 25 de Abril, Miguel Castro afirmou que a Democracia
pluralista e constitucional "só encontrou verdadeira consolidação com o 25
de Novembro de 1975", relembrando que o período do PREC foi marcado por
"radicalização, medo e instabilidade nas ruas, nos quartéis e nas
instituições". "Sem Abril, não teria havido libertação. Sem Novembro,
poderia não ter havido democracia pluralista", defendeu. O deputado
sublinhou que esta leitura "não diminui Abril" mas que "a
liberdade não tem donos" e que "a democracia não pertence a uma facção",
numa alusão às disputas sobre a propriedade simbólica do 25 de Abril.

Sobre a Autonomia da Madeira, Castro adoptou um tom
celebrativo mas também crítico. Reconheceu-a como "uma das maiores
conquistas políticas da história contemporânea" da Região, afirmando que
"a Madeira não é periferia de si própria, é centro da sua própria
realidade". Mas virou o argumento contra o poder instalado, defendendo que
a Autonomia "não existe para proteger governos" nem "para
alimentar sistemas fechados". "A Autonomia não existe para substituir
o centralismo de Lisboa por centralismos regionais", sublinhou.

Noutra passagem do seu discurso, Miguel Castro questionou
directamente que Autonomia a Madeira quer para os próximos 50 anos: "Uma
Autonomia acomodada ou uma Autonomia viva, transparente e ao serviço das
pessoas?". O líder do Chega elencou os problemas que considera por
resolver: mobilidade, justiça fiscal, custo de vida, habitação para os jovens e
valorização de quem trabalha na Região. E exigiu "uma Autonomia que não tenha
medo da transparência, da fiscalização e da verdade".

Miguel Castro criticou ainda quem usa Lisboa como
"desculpa permanente para esconder as suas próprias falhas", num
recado dirigido ao Governo Regional do PSD sem o nomear directamente. "Uma
Autonomia sem transparência transforma-se em privilégio. Uma Autonomia sem povo
transforma-se em poder fechado”, acrescentou.

Concluiu o seu discurso com um apelo a que Abril, Novembro e
a Autonomia deixem de ser "apenas memória" e "apenas
celebração" para se tornarem "compromisso" com a liberdade, com
a Democracia, com a Madeira e com o Porto Santo. "A verdadeira liberdade
não é apenas poder votar. É poder viver com dignidade, falar sem medo,
trabalhar e acreditar que os nossos filhos podem ter futuro na sua terra",
finalizou.