No
âmbito do evento 'eGames Lab > Ready to Play!', a Startup Madeira dedica o
final de tarde do dia 1 de Maio a uma das formas de expressão artística relacionada
com o mundo dos videojogos, o Cosplay. Assim, entre as 18h00 e as 20h00, o
Madeira Shopping transformar-se-á num palco de criatividade, música e
performance, convidando entusiastas de todas as idades a vestirem a pele das
suas personagens favoritas.
O
fenómeno do Cosplay é uma prática cultural que consiste na representação
de personagens de ficção através de vestuário, maquilhagem, acessórios e
interpretação e é ,nos dias de hoje, uma forma de expressão global associada aos
videojogos, anime, cinema e banda desenhada.
Ao
trazer um momento Cosplay, até ao Madeira Shopping, a organização pretende inspirar
a cultura tecnológica e mostrar que por detrás de cada jogo existem narrativas,
personagens e uma arte que inspira gerações.
"Sunset
& Cosplay" é, assim, uma iniciativa inserida no evento 'eGames Lab > Ready to Play!',
que terá um programa aberto à comunidade, de 24 de Abril a 3 de Maio. Esta
iniciativa pretende dar visibilidade ao trabalho desenvolvido no ecossistema
regional e nacional, promovendo os resultados alcançados pelo consórcio eGames
Lab, financiado pelo PRR - Plano de Recuperação e Resiliência,
através das Agendas Mobilizadoras.

Cosplay:
Origem, Significado e Evolução
A
origem do Cosplay moderno, tem raízes que remontam ao início do século
XX, mais propriamente, com a evolução das comunidades de fãs de ficção
científica no início do século XX. Frequentemente associado ao Japão, a sua
origem formal é, tecnicamente, norte-americana. Embora existam antecedentes
históricos de encenação, disfarce e performance em várias culturas, a forma
moderna do fenómeno cosplay ganhou visibilidade nas convenções de fãs
norte-americanas, que, nos dias de hoje, são o pilar das indústrias criativas e
dos videojogos.
Cosplay é uma prática cultural que consiste
em representação de personagens de ficção através do vestuário, maquilhagem,
acessórios e interpretação. O termo, resulta da junção das palavras inglesas costume
(fato) e play (jogo/atuação), e é hoje utilizado internacionalmente para
descrever uma forma de expressão profundamente associada à cultura pop, aos
videojogos, ao cinema e ao anime.
O
marco fundador do conceito Cosplay ('vestir-se como uma
personagem') ocorreu em 1939, na primeira World Science Fiction
Convention (Worldcon), em Nova Iorque, quando Forrest J. Ackerman e
Myrtle R. Douglas surgiram trajados como personagens futuristas inspirados no
filme "Things to Come". Este momento, é apontado como a génese da cultura
de 'fan costuming', onde os fãs, consolidaram o hábito de representar personagem
emblemáticas em convenções.

Se
a prática nasceu no ocidente, o batismo ocorreu no oriente. O termo Cosplay
só foi disseminado em 1984 pelo jornalista japonês Nobuyuki Takahashi que, após
este ter visitado a Worldcon em Los Angeles, ficou impressionado com o
espectáculo dos trajes. Takahashi descreveu a experiência em revistas japonesas,
fundindo os conceitos de "fato" e "actuação". O termo Cosplay
tornou-se popular no Japão nos anos 80. A partir daí, a prática difundiu-se
rapidamente, primeiro na Ásia e depois à escala global, deixando de ser um
passatempo de nicho para afirmar-se como uma profissão, uma arte performativa e
uma ferramenta de comunicação cultural.
Actualmente,
o Cosplay é particularmente associado a países onde a indústria do
entretenimento e as comunidades digitais têm maior expressão. Em 2023, o
impacto económico do Cosplay, no mercado global foi avaliado em aproximadamente
4,6 mil milhões de dólares (à moeda corrente 3,91 mil milhões de euros).
O Cosplay é especialmente emblemático no Japão, em distritos como Akihabara
(Tóquio), centros nevrálgicos onde funde-se com a vida
quotidiana. O Japão transformou o Cosplay numa indústria profissional e
numa ferramenta de 'soft power' cultural (através do anime e manga).
Nos
Estados Unidos, expandiu-se através de convenções de massas como San Diego
Comic-Con Comic-Com, onde o Cosplay atingiu a escala de
"super-produção" e deram visibilidade global à prática.
Na
China, na Coreia do Sul e na Europa, especialmente em países como a França e
Alemanha, ligaram o conceito Cosplay à indústria dos desportos
electrónicos (eSports), à criatividade juvenil e à forte indústria de
videojogos. Atualmente, lideram as competições mundiais de Cosplay, com
foco na perfeição técnica do design.
A
prática deixou de ser apenas um passatempo de nicho para afirmar-se como uma
atividade artística e, em muitos casos, profissional. Atualmente, os 'cosplayers'
colaboram com marcas globais, participam em competições internacionais e
produzem conteúdos digitais de alta complexidade técnica, funcionando como
embaixadores das narrativas que representam.

Mais
do que um fato
Fazer Cosplay significa muito mais do que vestir um fato, significa interpretar uma
personagem, recriando não só a sua imagem exterior, mas também a sua linguagem
e simbologia. Envolve pesquisa, design, confecção artesanal (como costura,
pintura, maquilhagem artística) e, está, cada vez mais ligada a competências de
engenharia e tecnologia. Este processo é um exemplo prático de criação e
aquisição de competências multidisciplinares. O Cosplay moderno utiliza ferramentas
de modelação digital, impressão 3D, programação de circuitos LED (para luzes e
movimento) e electrónica para conferir realismo aos acessórios da personagem.
As
razões que levam os participantes a esta prática são diversas, para alguns, é
uma forma de expressão artística e construção identitária, para outros, é uma
forma de participar numa comunidade de interesse comum e desenvolver
competências técnicas, como modelação 3D ou trabalhos manuais.
Segundo
especialistas em sociologia da cultura digital, este movimento baseia-se na Homenagem
e Identificação, que é a forma máxima de um fã demonstrar ligação emocional
a uma narrativa (videojogo, filme ou livro); e na Comunidade e Performance onde
o "Play" no Cosplay refere-se à interpretação. O praticante
estuda os gestos, a voz e a postura da personagem, promovendo a autoconfiança e
o sentido de pertença a um grupo.

Sunset
& Cosplay: Um convite à comunidade
No
dia 1 de Maio, a comunidade é convidada a ser a protagonista, com o desafio
às famílias, aos jovens e aos entusiastas da cultura 'geek'. Todos são desafiados
a aparecerem com a sua melhor interpretação da sua personagem favorita.
O
evento Sunset & Cosplay transformará o Madeira Shopping num espaço
de interação social e festa. Entre as 18h00 e as 20h00, o ambiente será
assegurado pelo DJ Andy Lux, que nos trará uma seleção musical focada nos
maiores êxitos do universo gaming, dos clássicos de 8-bits aos hinos épicos dos
videojogos modernos. Uma selecção musical family-friendly que atravessa
as décadas do gaming. Das melodias nostálgicas do Super Mario e Tetris,
aos temas épicos de The Legend of Zelda e Final Fantasy, até às
batidas modernas de League of Legends e Fortnite.
O
Sunset & Cosplay foi desenhado para ser um momento inclusivo e
intergeracional. Quer se trate de um fato profissional ou de uma caracterização
simples feita em família, o objectivo é celebrar a criatividade.
"Este
é o momento em que a tecnologia ganha rosto e cor. Queremos que a comunidade
sinta que faz parte deste ecossistema criativo que estamos a construir na
Madeira", afirma Sílvia Almeida, Community Manager da Startup Madeira, que
acompanhará esta iniciativa. Anunciar esta atividade antecipadamente, permite
que os participantes preparem os seus fatos e mobilizem amigos e famílias.
No
contexto do evento 'eGames Lab >Ready to Play!', o Cosplay é visto como uma
cultura participativa. O evento não se limita à exposição de conteúdos, mas
procura criar participação ativa, permitindo que os visitantes não sejam apenas
espectadores, mas também criadores de imagem e participantes na experiência.
A organização
relembra que o evento 'eGames Lab > Ready to Play!' terá início esta
sexta-feira, 24 de Abril e decorrerá até 3 de Maio. Ao longo de 10 dias, os
participantes poderão contar com uma programação que combina a demonstração
tecnológica, o debate e a experimentação, com o objetivo de dar visibilidade
aos videojogos e à relação crescente entre tecnologia, criatividade, ensino e
cultura digital. Ao juntar demonstrações, debate e participação, a iniciativa
pretende contribuir para a valorização do setor dos videojogos na Região
Autónoma da Madeira e para o reconhecimento do seu potencial cultural,
educativo e económico. Esta é mais uma iniciativa desenvolvida pela Startup
Madeira, incubadora regional tutelada pela Secretaria Regional da Economia.

