O
Grupo Parlamentar do Partido Socialista deu entrada, na Assembleia Legislativa
da Madeira, de um voto de saudação pelo mês da prevenção dos maus-tratos na
infância, que se assinala em Abril, aproveitando, simultaneamente, para
defender um reforço dos meios para as Comissões de Proteção de Crianças e
Jovens (CPCJ), atendendo ao aumento de casos registados.
Em nota á imprensa, a deputada Isabel Garcês, proponente do referido voto, salienta que este é um
momento essencial para a sensibilização e mobilização em defesa dos direitos
das crianças e jovens, alertando que os maus-tratos contra estes cidadãos
constituem “um flagelo social com consequências graves e duradouras, que
persiste e tem aumentado na Região”, manifestando-se através de episódios de
violência física e psicológica, negligência, abuso sexual, bullying e
cyberbullying, estes últimos cada vez mais frequentes.
De
acordo com os dados das CPCJ, em 2024 registaram-se na Região 1.143
comunicações de situações de perigo e 1.749 processos de promoção e
proteção acompanhados. Já em 2025, apenas a CPCJ do Funchal acompanhou 426
crianças em risco, na sequência de 743 novas comunicações. A esta
realidade junta-se uma outra, muitas vezes interligada, que se prende com a
violência doméstica, fenómeno que, na Madeira, registou 382 casos no primeiro
semestre de 2025.
A
parlamentar socialista considera fundamental reconhecer o papel das CPCJ e o
empenho dos membros das comissões alargadas e restritas da RAM, cuja
intervenção é determinante. Contudo, perante o aumento dos casos registados,
entende que urge garantir mais meios humanos e financeiros, para que estas
organizações possam dispor de melhores condições e consigam ter uma maior
capacidade de resposta e uma intervenção mais célere e eficaz na proteção das
crianças e jovens.
Na
óptica de Isabel Garcês, a protecção da infância exige um compromisso firme e
contínuo, não apenas ao nível da sensibilização, mas também do investimento
público e da valorização das entidades que atuam no terreno.
Nesse
sentido, considera igualmente essencial reforçar a denúncia e a intervenção
precoce, envolvendo profissionais de saúde, de educação, agentes da PSP,
famílias e toda a comunidade. “A proteção da infância é uma responsabilidade
coletiva”, sublinha, vincando que há que garantir respostas rápidas,
articuladas e eficazes, assegurando apoio psicológico, social e jurídico às
vítimas e promovendo a sua recuperação e proteção.
A
deputada do PS realça que “proteger as nossas crianças é investir no futuro”,
razão pela qual, através deste voto de saudação, lança também um apelo ao
compromisso de todos, para que haja “mais prevenção, mais apoio e mais ação”.

