Governar é fundamentalmente antecipar o amanhã para proteger os mais vulneráveis hoje. Na Madeira, o que assistimos no setor da terceira idade não é competência política, mas sim uma gestão de mercearia feita “em cima do joelho” e cheia de remendos, onde o desprezo pelo planeamento estratégico e a falta de visão de futuro, associada a uma boa dose de negligência, condenou uma geração inteira ao mais profundo desamparo.

Os números não mentem e são o espelho de um fracasso civilizacional. Temos cerca de 300 idosos a morar em camas e macas hospitalares. Seres humanos que são mantidos em enfermarias e em corredores de hospital, porque foram esquecidos por quem nos governa. Um hospital não é uma residência; é um local de cura. Manter um idoso a residir num ambiente hospitalar por falta de retaguarda social é uma forma de violência institucional revoltante, expondo-os ao isolamento, à depressão e a riscos de saúde.