Um dos suspeitos de integrar desde 2022 uma rede transnacional de burlas de mensagens fraudulentas de "Olá pai, Olá mãe" garantiu hoje em tribunal estar inocente e nada ter a ver com este esquema.

"Sou inocente, não tive nada a ver com estas burlas", afirmou o arguido, de 41 anos, perante o coletivo de juízes do Tribunal de Matosinhos, no distrito do Porto, onde começou a ser julgado.

O suspeito, que está em prisão preventiva, referiu ainda que desconhecia esta burla de "Olá pai, Olá mãe" até ser preso pela Polícia Judiciária (PJ).

Segundo a acusação, o suspeito, juntamente com a mulher que também é arguida no processo, tinha como tarefas comprar cartões para telemóveis, ativando-os e disponibilizando-os de forma massiva em 'modems GSM', que também compravam, e que estavam configurados em aplicações acessíveis através do servidor "agente.smshub.org" a outros membros do grupo.

Aos outros membros do grupo cabia, em regra, a criação de contas no WhatsApp e o envio de mensagens fraudulentas de "Olá pai, Olá mãe", assinalou.

A burla "Olá pai, Olá mãe" é um esquema fraudulento, que circula principalmente através da aplicação WhatsApp, onde os burlões se fazem passar por filhos ou familiares próximos das vítimas para extorquir dinheiro.

A disponibilização destas ferramentas à rede permitiu a estes arguidos ganhos de, pelo menos, 218.000 euros recebidos em criptomoeda, que converteram através de venda, com depósito das quantias em contas bancárias de terceiras pessoas a si relacionadas, sublinhou a acusação.

A estes dois arguidos e à organização instalada juntou-se um terceiro arguido a quem cabia o papel de disponibilizar entidades/referências e contas bancárias para as quais as vítimas faziam pagamentos/transferência.

Aquando da detenção, em novembro de 2024, a PJ apreendeu ao suspeito 22 `modems GSM´, 12.423 cartões SIM, a maioria dos quais prontos a serem utilizados, e vários computadores.

O suspeito explicou que trabalhava para uma empresa que vendia esses cartões SIM por 1,50 a 3,50 euros cada.

Depois, o que as pessoas faziam com os cartões não era da sua responsabilidade, frisou.

Em Portugal desde 2015 e há anos sem qualquer atividade profissional remunerada, o arguido confessou que, com esta atividade, ganhava entre 2.000 a 2.500 euros por mês, mas não os declarava.

Além disso, o suspeito, acusado de burla qualificada, falsidade informática, branqueamento e associação criminosa, salientou não conhecer o terceiro suspeito envolvido no processo.

Antes do início do julgamento, o procurador do Ministério Público (MP) requereu como pena acessória a expulsão do país dos três arguidos, todos de nacionalidade brasileira, caso estes venham a ser condenados.