O
deputado socialista Carlos Pereira reagiu esta sexta-feira às declarações do
presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, sobre o novo modelo do
Subsídio Social de Mobilidade, que se passa a chamar Mecanismo de Continuidade
Territorial, acusando o Executivo madeirense de ter falhado na defesa dos
interesses dos residentes e de só agora entrar num debate que o PS acompanha “desde
Dezembro”.
Refira-se que Miguel Albuquerque avisou esta sexta-feira que o fim do tecto no Subsídio Social de Mobilidade Aérea pode pôr em risco 48% da operação aérea da Madeira, admitindo que a limitação poderá ter de manter-se para proteger as ligações à Região. “Se tiver em causa 48% da operação para a Madeira, nós temos que tomar uma decisão e escolher aquilo que é melhor para a Madeira”, afirmou o presidente do Governo Regional, referindo-se ao peso conjunto da easyJet e da Ryanair nas ligações aéreas à Região.
Ora, Carlos Pereira reagiu a estas declarações. “Dou
as boas-vindas ao presidente do Governo ao debate sobre a deplorável, indigna e
falhada mudança que o governo da AD fez ao subsídio social de mobilidade”,
afirma Carlos Pereira, parabenizando ainda os deputados social-democratas madeirenses
por terem votado a favor de todas as alterações aprovadas esta sexta-feira na
Assembleia da República.
Mas o
tom elogioso durou pouco. Ao DIÁRIO, o deputado socialista madeirense considera que
Albuquerque chegou ao debate “pelo menos quatro meses atrasado” e elenca um
conjunto de falhas que atribui ao Governo Regional: não travou as obrigações
fiscais impostas aos residentes, não impediu a criação de um tecto intermédio,
não combateu o excesso de burocracia, não evitou a implementação de uma “plataforma
cacafónica e ineficaz” e não defendeu a manutenção dos CTT no processo. “Não
travou nada”, atirou.
Carlos
Pereira também critica o secretário regional responsável
pela pasta, acusando-o de se ter limitado a “bloquear e a passar rasteiras a
quem queria resolver”, acrescentando que o governante “enviava recadinhos
jocosos do seu gabinete para a Assembleia da República” e que “nunca se meteu
num avião para tratar do óbvio”.
De resto, o deputado socialista sublinha que a pressão para resolver os problemas do
subsídio de mobilidade partiu dos próprios madeirenses. “Recebi centenas de
apelos de estudantes e famílias que se viram a braços com dificuldades
burocráticas e não só”, revelou, lembrando episódios concretos: “Na Páscoa,
houve quem tivesse de pagar 1.000 euros por um casal para ir a Lisboa, com
tectos supostamente limitativos de 400 euros, incluindo dessa empresa que usa a
chantagem para obter resultados”.
Ora, a referência às “chantagens”, palavra usada pelo próprio Albuquerque para
descrever a posição da easyJet, é devolvida com ironia. “O dia de hoje não é
para falar de gente que sucumbe a chantagem”, disse Carlos Pereira, numa alusão
directa ao presidente do Governo Regional. E é categórico: “A Madeira não é uma
filial da easyJet. Merece respeito”.
Sobre
a possibilidade de o PS apoiar ajustes futuros ao modelo agora aprovado, caso a
operação aérea seja efectivamente comprometida, Carlos Pereira não fecha a
porta, mas coloca condições. “O PS sabe o que faz: primeiro espera que a
regulamentação seja célere e que o governo não faça ‘panelinha’ com o governo
da República para atrasos ou vetos de gaveta”, afirmou, exigindo ainda “argumentos
sólidos e sustentados” antes de qualquer cedência às pressões das
transportadoras.
O
deputado deixa ainda um recado directo ao PSD-Madeira: “Que se organize melhor
sobre o tema, faça o seu trabalho, não se limite a ouvir interessados directos,
e depois contribua para ajudar os seus conterrâneos”. E conclui com uma
garantia: “O PS estará sempre disponível para mudar o que tiver de ser mudado,
desde que bem demonstrado. Algo que está muito longe de ser”.

