O aumento de interrupções voluntárias da gravidez em
adolescentes na Região, foi o assunto que fez manchete na edição de hoje do
DIÁRIO, que dá conta que, nos últimos seis anos, 354 adolescentes engravidaram.

Segundo os dados facultados pela Direcção Regional da Saúde (DRS) e pelo
SESARAM, foi possível verificar que, no ano passado, o número de partos em mães
adolescentes diminuiu, atingindo o número mais baixo desde 2020, enquanto o de
jovens pacientes que recorreram a uma IVG, aumentou, registando o mais alto, no
mesmo período temporal.

Em entrevista à rubrica DIÁRIO-Saúde, presente no YouTube, a
psicóloga clínica, com formação em sexologia, Petra Freitas referiu que é necessário entender
o que está a falhar no campo da prevenção.

“Ainda temos 354 jovens a passar por uma gravidez não planeada. Isto faz
refletir sobre se o trabalho que tem sido feito tanto a nível escolar como
familiar, sobre discutir estes assuntos sem tabus e num ambiente seguro, se tem
surtido efeito nos mais jovens”, apontou.

Sobre o número de interrupções ser maior que o de partos, a profissional de
saúde referiu que revela uma mudança significativa no padrão de decisão, onde
pode, por um lado, "revelar uma maior maturidade no poder da escolha e, por
outro, uma maior consciência do impacto que pode ter ao ir avante com a maternidade”.

Para a sexóloga, o facto de os números não sofrerem
alterações muito expressivas “não representa um bom resultado no trabalho da
prevenção”, porque tendo em conta a informação que existe disponível, mantêm-se
altos e “continuam a ser um problema, independentemente, das duas escolhas”,
porque em primeiro lugar, existe uma gravidez numa idade precoce.

A parte que estamos a trabalhar, a parte biológica, os adolescentes já sabem
como é que funciona. Está a falhar na parte da intimidade, da responsabilidade
afectiva que existe na relação entre duas pessoas. Se, de facto, conseguem
dizer o ‘não’ ao seu parceiro, se conseguem se impor no uso do preservativo, no
uso de métodos contraceptivos, algo está aqui a falhar e temos de reflectir
sobre isto enquanto sociedade.
— Petra Freitas, psicóloga clínica, especializada em sexologia

A especialista em saúde mental, abordou ainda de que forma estas duas
experiências podem afectar a vida de uma jovem em processo de construção de
identidade, deixou estratégias de prevenção para pais e adolescentes e sublinhou
a extrema importância da autoestima e da confiança no campo da sexualidade.

“É fundamental que os pais falem sobre todos os assuntos que estejam relacionados
com o desenvolvimento da criança. A sexualidade não é um aparte deste
desenvolvimento, até porque vai acompanhar o crescimento desde bebé, criança,
adolescente e adulto”, concluiu.