Os fragmentos de ADN tumoral no sangue de pacientes com cancro da
mama podem ajudar a prever o risco de recaída da doença, segundo um estudo
internacional que incluiu 81 utentes, apresentado na sexta-feira, em Espanha.
"Já sabemos que o ADN tumoral circulante [no sangue] tem
relevância prognóstica e a sua deteção está consistentemente associada a um
maior risco de recorrência e a uma menor sobrevivência," disse a
oncologista Elisa Agostinetto, também investigadora no Instituto Jules Bordet,
em Bruxelas (Bélgica), na apresentação, citada numa notícia da Europa Press.
De acordo com o estudo, apresentado na XV Conferência Europeia de
Cancro da Mama (sigla original, EBCC15), em Barcelona, Elisa Agostinetto
acrescentou que a presença de fragmentos de ADN tumoral no sangue pode indicar
que o cancro vai voltar meses antes de aparecer qualquer sinal clínico ou
sintomas.
Os fragmentos de ADN tumoral podem ajudar a prever o regresso da
doença, especialmente quando as amostras são recolhidas após os tratamentos
pré-cirúrgicos (procedimentos, exames e cuidados realizados antes de uma
cirurgia).
Elisa Agostinetto disse que os resultados do ADN tumoral no sangue
podem ajudar a orientar decisões de tratamento após a terapia neoadjuvante
(tratamentos oncológicos como quimioterapia, radioterapia ou hormonoterapia,
administrados antes da cirurgia), alertando que esta abordagem ainda precisa de
ser testada em ensaios clínicos.
De acordo com os investigadores, os fragmentos de ADN tumoral no
sangue "podem ser úteis" para identificar as utentes com maior risco
após a terapia neoadjuvante e para orientar o tratamento subsequente, se
necessário.
Para realizar a pesquisa foram recolhidas amostras de sangue de 81
mulheres com cancro da mama, em fase inicial, no Instituto Jules Bordet e no
Instituto Nacional do Cancro, em Milão (Itália).
As mulheres tinham entre os 27 e os 75 anos e a maioria
apresentava tumores com menos de cinco centímetros que se tinham espalhado para
os gânglios linfáticos (estruturas espalhadas pelo corpo essenciais para o
sistema imunitário).
Os investigadores recolheram amostras de ADN tumoral no sangue
quando as doentes entraram nos estudos e antes de iniciarem o tratamento
neoadjuvante.
Os especialistas recolheram amostras também no final do tratamento
e antes da cirurgia.
Segundo a Europa Press, foram ainda recolhidas amostras durante o
acompanhamento das doentes, que durou aproximadamente sete anos.
Durante este período, uma doente faleceu sem que a doença
voltasse, 21 mulheres tiveram recaída e quatro morreram após o regresso da
patologia.
