O homem suspeito de ter matado a própria mãe, na zona da
Matur, em Água de Pena, encontra-se no espaço de isolamento do Serviço de
Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça, sob vigilância das autoridades
policiais, apurou o DIÁRIO.

Depois de ter sido localizado, ontem, na residência onde
ocorreu o crime, quatro dias após os factos, o indivíduo foi transportado para
o Hospital Dr. Nélio Mendonça, onde ficou sob observação médica, na sequência
de ferimentos sofridos ao atirar-se de uma varanda durante a intervenção
policial. A sua situação clínica é considerada, neste momento, grave. Não está
colocada de parte recorrer a intervenções cirúrgicas. As próximas horas serão
determinantes para a avaliação do quadro terapêutico a seguir do alegado
assassino.

O estado físico debilitado e a necessidade de avaliação
especializada colocam agora em aberto a eventual transferência para uma unidade
de saúde mental, cenário que dependerá do diagnóstico clínico psiquiátrico.
Depois disso e quando receber alta relativa aos ferimentos causados pela queda,
o suspeito poderá ser encaminhado para uma instituição de acompanhamento
psiquiátrico continuado, num quadro que conjuga exigências clínicas e legais.

A investigação da Polícia Judiciária prossegue, entretanto,
centrada na reconstituição dos factos e na recolha de indícios. Entre os
elementos já apurados está a possível utilização de um haltere, ao que tudo indica de 15 quilos, onde foram detectados vestígios de matéria orgânica, admitindo-se que
possa ter sido uma das armas utilizadas no crime. As autoridades trabalham
também a hipótese de o suspeito ter tentado eliminar provas após o alegado
homicídio.

De acordo com o enquadramento legal em vigor, situações que
envolvam comportamentos de risco para o próprio ou para terceiros podem
conduzir a internamento compulsivo, decisão que depende de avaliação
psiquiátrica e posterior validação judicial. Trata-se de um procedimento que
implica restrições à liberdade individual e que, por isso, exige sustentação
clínica e apreciação por um juiz.

Só depois de estabilizada a condição de saúde é que o
suspeito deverá ser presente a primeiro interrogatório judicial, no prazo legal
previsto, mantendo-se até lá sob custódia e acompanhamento médico.