Cerca de 60% dos enfermeiros afectos
ao Serviço de Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça tinham, até ao final do
dia de ontem, apresentado pedidos de escusa de responsabilidades junto da respectiva
ordem profissional. Na manhã desta terça-feira, Teresa Espírito Santo apontava
para um total de 75 profissionais nessa situação.
Voltam, desta forma, a ‘denunciar’
as dificuldades com que se deparam no exercício de funções. Em causa está,
entre outros factores, a pressão causada pelo grande número de utentes a
aguardar na Urgência por uma vaga para internamento. Essa espera é tanto mais
agravada quanto maior é o número de utentes com alta clínica que continuam a
ocupar camas nas enfermarias dos vários serviços hospitalares.
Para a presidente do Conselho
Directivo Regional da Madeira da Ordem dos Enfermeiros, a questão não se limita
ao número de profissionais, apontando, antes, “problemas estruturais”, que
foram devidamente identificados e transmitidos ao Conselho de Administração do
Serviço de Saúde da Região (SESARAM) e à tutela, após a visita de
acompanhamento de exercício profissional àquele serviço, realizada nos primeiros
dias de Fevereiro.
“O Serviço de Urgência não está
vocacionado para ter doentes em situação de internamento, portanto, deverá ser,
na sua essência, uma porta giratória, entra e o doente depois ou tem alta ou é internado
num dos serviços para tratar o que o levou lá”, refere a responsável, notando
que o mesmo “está também a funcionar paralelamente como um serviço de internamento,
com cerca de 70 doentes, o equivalente a quase dois serviços de Medicina Interna”,
lamenta.
Reconhecendo abertura do SESARAM e da tutela para corrigir a situação, Teresa Espírito Santo salienta que, "de acordo com os cálculos efectuados, se fosse para o serviço de urgência funcionar exclusivamente como urgência, o número de enfermeiros era o adequado. Neste momento, realmente, precisamos é que haja uma alta rotatividade dos doentes quando dão entrada naquele serviço, ou com uma vaga para internamento imediato, ou nas próximas horas, num serviço de internamento".
Aquela responsável salienta que "A Região tem falta de unidades de longa duração de rectaguarda que possam acolher os doentes. Porque são doentes que também têm necessidades, não necessidades agudas, mas necessidades de cuidados continuados", defende.

