A Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM) divulgou hoje
um conjunto de dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR)
realizado em 2025, complementando a informação divulgada no final do ano
passado.

Em 2025, cerca de 53,3 mil residentes encontravam-se em risco de
pobreza ou exclusão social, menos 5,6 mil pessoas que em 2024 (-9,5%). A taxa
de risco de pobreza ou exclusão social na Região foi de 20,5%, reflectindo uma
diminuição de 2,4 p.p. face a 2024. No País, esta taxa fixou-se em 18,6%, tendo
recuado 1,1 p.p. face ao ano anterior.

Para o conjunto de 10 dos 13 itens que compõem a privação
material e social, registou-se, em 2025, uma diminuição da proporção de
pessoas afetadas pela maioria das limitações por dificuldades económicas,
em comparação a 2024, exceto na proporção de pessoas sem capacidade
económica para gastar semanalmente uma pequena quantia de dinheiro
consigo próprias (8,3%; +0,4 p.p. face a 2024) e de pessoas sem
possibilidade para ter acesso à internet para uso pessoal em casa (1,2%; +0,2
p.p. face a 2024).

Entre as principais dificuldades estão, ao nível da família, a
incapacidade para pagar uma semana de férias, por ano, fora de casa, suportando
a despesa de alojamento e viagem para todos os membros do agregado (44,4%), a
impossibilidade de substituição do mobiliário usado (43,4%) e a incapacidade
para assegurar o pagamento imediato de uma despesa inesperada próxima do valor
mensal da linha de pobreza - 632 euros - sem recorrer a empréstimo (41,8%). Ao
nível individual, destaca-se a impossibilidade de participação regular numa
atividade de lazer, como desporto, cinema ou concerto (10,2%), a incapacidade
económica para gastar semanalmente uma pequena quantia de dinheiro consigo
próprio (8,3%) e a impossibilidade de substituição de roupa usada por alguma
roupa nova (excluindo a roupa em segunda mão) com 7,4%.

Indicadores de privação habitacional

Em 2025, a taxa de sobrelotação da habitação fixou-se em
23,5%, refletindo um acréscimo de valor superior em 4,1 p.p. face ao ano
anterior. A média nacional deste indicador foi de 12,7%, valor superior em 1,5
p.p. ao de 2024.

A taxa de privação severa das condições da habitação reflete a
proporção de pessoas que viviam num alojamento sobrelotado e que referiram pelo
menos um dos seguintes problemas: inexistência de instalação de banho ou duche
e de sanita com autoclismo, no interior do alojamento; teto que deixa
passar água, humidade nas paredes ou apodrecimento das janelas ou soalho; luz
natural insuficiente num dia de sol. No ano em análise, a taxa de privação
severa das condições de habitação fixou-se em 11,3% aumentando em 1,0 p.p.
comparativamente a 2024. A média nacional deste indicador fixou-se em 6,1%
(4,9% em 2024).

A carga das despesas em habitação relaciona as despesas anuais
com a habitação com o rendimento disponível do agregado, deduzindo as
transferências sociais relativas à habitação em ambos os elementos da divisão.
Incluem-se nestas despesas os custos relacionadas com água, eletricidade, gás
ou outros combustíveis, condomínio, seguros, saneamento, pequenas reparações,
bem como as rendas e os juros relativos ao crédito da habitação principal. Em
2025, registou-se uma diminuição do rácio entre as despesas em habitação e o
rendimento disponível das famílias, observando-se uma carga mediana das
despesas em habitação de 10,1% (10,5% em 2024), inferior ao valor do País
(11,4%). A taxa de sobrecarga das despesas em habitação foi de 5,0% (5,2%
em 2024), também inferior à observada a nível nacional (6,3%).

Indicadores de pobreza energética

Em 2025, a proporção da população com incapacidade financeira
para manter a casa adequadamente aquecida fixou-se em 19,7%, o valor mais baixo
da série iniciada em 2018. Este valor reflete uma diminuição de 1,1 p.p. face a
2024 e de 3,6 p.p. em comparação a 2018 (primeiro ano da série). Contudo,
considerando a população em situação de pobreza, a situação foi inversa,
atingindo em 2025 os 35,7%, um acréscimo de 2,3 p.p. face ao ano anterior e de
1,9 p.p. face a 2018.

Na população residente, ao nível dos atrasos motivados por
dificuldades económicas no pagamento das despesas correntes da residência
principal, em 2025, a proporção situou-se em 4,2%, uma diminuição de 1,9 p.p.
face ao ano precedente e de 5,7% relativamente a 2018. Este foi igualmente o
mínimo registado desde o início da série. Entre a população em situação de
pobreza, a proporção de pessoas com atraso nestes
pagamentos foi de 8,4% em 2025, correspondendo a decréscimos de 1,5 p.p. face
as 2024 e de 10,5 p.p. em comparação a 2018.

No domínio das condições
físicas dos alojamentos, a percentagem da
população residente a viver em alojamentos em que o
teto deixa passar água ou existe humidade nas
paredes ou apodrecimento das janelas ou soalhos aumentou para
41,3%, refletindo um acréscimo de 1,9 p.p. em relação a 2024 e um decréscimo de
5,6 p.p. face a 2018 (46,9%). Esta situação é ainda mais expressiva entre os
indivíduos em situação de pobreza, onde a proporção fixou-se em 55,1%,
invertendo a melhoria registada em 2024 (49,0%) e permanecendo acima do valor
de 2018 (53,0%).