O director regional das Comunidades e Cooperação Externa,
Sancho Gomes, desloca-se à Venezuela entre os dias 24 e 31 de Março, em
representação do Governo Regional da Madeira, com o objectivo de acompanhar a
comunidade madeirense naquele país, num contexto marcado pelas recentes
alterações sociopolíticas.

"Ao longo de oito dias, o governante irá percorrer as cidades
de Caracas, Valência, Maracay e Barquisimeto, onde reside uma comunidade
estimada em cerca de 400 mil madeirenses e descendentes. A deslocação pretende
avaliar os impactos das mudanças políticas e económicas e auscultar directamente
a realidade vivida pelas famílias e pelo tecido empresarial e associativo", indica nota à imprensa.

“Tendo em consideração o actual contexto sociopolítico na
Venezuela, queremos perceber quais os impactos que estas mudanças estão a ter
na nossa comunidade, no movimento associativo, nas famílias e nas empresas”,
afirma Sancho Gomes. O responsável acrescenta que o objectivo passa também por
“ouvir os nossos empresários e perceber como encaram o futuro, num momento de
transformação”.

O governante admite que o novo enquadramento poderá abrir
portas. “Este é também um tempo para identificar oportunidades. Poderão surgir
novas perspetivas para os empresários que já se encontram na Venezuela e pelo
tecido empresarial madeirense, que possam olhar para este mercado como uma
possibilidade de expansão.

Durante a visita, Sancho Gomes anunciará o reforço dos
apoios financeiros ao movimento associativo da diáspora, cuja dotação aumenta
este ano de 50 mil para 60 mil euros. Uma decisão que, segundo explica, reflete
a importância estratégica das comunidades para a Região.

“O Governo Regional entende que as comunidades madeirenses
são o maior ativo da Madeira no exterior”, sublinha, acrescentando que estes
apoios visam “não só preservar a identidade e a Madeirensidade além-fronteiras,
mas também garantir apoio social aos madeirenses em situação de maior
vulnerabilidade”.

O responsável aproveitará ainda a deslocação para
sensibilizar as associações para a abertura do período de candidaturas a estes
apoios, que decorre entre 1 e 30 de Abril.

A agenda inclui encontros com empresários madeirenses e com
estruturas representativas do sector, nomeadamente câmaras de comércio
luso-venezuelanas, com o objectivo de avaliar o impacto económico da atual
conjuntura e identificar novas oportunidades de cooperação.

Estão igualmente previstas visitas a diversas instituições
sociais, culturais e desportivas da comunidade, entre as quais o Centro
Português de Caracas, a Casa Portuguesa de Maracay, o Centro Social Madeirense
de Valência e o Centro Luso-Larense de Barquisimeto, bem como a associações de
solidariedade social que apoiam a população mais fragilizada.

No plano institucional, estão previstas reuniões com as
autoridades portuguesas na Venezuela e com outras entidades locais.

A deslocação inclui ainda uma visita à Universidade Central
da Venezuela, para avaliar oportunidades de cooperação ao nível da educação. “A
educação, a formação e a língua portuguesa são elementos essenciais de ligação
às nossas raízes e instrumentos fundamentais de afirmação cultural e de criação
de oportunidades”, destaca Sancho Gomes.

A visita, já prevista pelo executivo madeirense, assume
agora particular relevância face ao actual contexto vivido na Venezuela, sendo
encarada como uma oportunidade para manter a proximidade com a diáspora e
ajustar as políticas públicas à nova realidade.