A Igreja Matriz de São Jorge recebe amanhã, 21 de Março, a partir das 19 horas, o terceiro concerto da 4.ª edição do ciclo "Barroco a Norte", uma "iniciativa promovida pela Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura,
através da Direção Regional da Cultura, e produzido pela Associação Orquestra
Clássica da Madeira, que procura unir a excelência da música barroca aos
espaços sagrados que, ao longo de séculos, marcaram a identidade espiritual,
artística e comunitária dos municípios da costa Norte da Madeira".
Como habitualmente, o concerto deste sábado será, "uma vez mais, com entrada livre" e terá "como protagonista La Leona, ensemble constituído por Maria Clara Costa (flauta
de bisel), Sara Freitas Faria (flauta de bisel) e Arrate
Zubigaray (cravo), contando ainda com a participação de Ricardo
Brito", refere.

Assim, "o programa do concerto propõe um percurso pela música
instrumental europeia entre o final do século XVI e meados do século XVIII, um
período fundamental em que a linguagem musical evolui da herança vocal do
Renascimento para a consolidação das grandes formas do Barroco. O Prélude
non-mesuré de Louis Couperin e a Suite VI de Marin Marais introduzem o
refinamento e a liberdade expressiva da escola francesa, onde o gesto retórico
e a ornamentação desempenham um papel essencial", conta.
Continuando, "obras como Oncques amour de
Giovanni Bassano ou a Sonata a 2 'La Leona' de Marco Uccellini ilustram a
transição para uma escrita instrumental cada vez mais autónoma e virtuosa. A
Toccata Seconda de Girolamo Frescobaldi permite apreciar a linguagem particular
que o compositor desenvolveu para os instrumentos de tecla, concebida como um
jogo constante entre retórica musical, polifonia de raiz vocal e ornamentação,
cujas inovações tiveram uma profunda repercussão nos grandes mestres do
Barroco. As triosonatas de Corelli, Händel e Telemann são interpretadas numa
formação de duas flautas e cravo, uma opção historicamente habitual que
evidencia o carácter dialogante do género e a riqueza tímbrica do Barroco
europeu maduro".
Frise-se que a edição de 2026 do 'Barroco a Norte', que se iniciou a 7 de Março no Seixal, tendo já passado pelo Porto Moniz, inclui ainda um outro
concerto a 28 de Março. "O ciclo afirma-se como uma iniciativa dedicada à
valorização e difusão do património musical e arquitectónico da costa norte da
Região Autónoma da Madeira", explica a organização.
É que, "depois de, na edição anterior, 'Barroco a Norte' ter
destacado o púlpito como elemento central da estética barroca, a edição deste
ano volta-se para outro símbolo marcante da arte sacra: o sacrário. Este foco
temático pretende reforçar o diálogo entre música, património e contemplação
estética, valorizando a talha, a policromia e a simbologia presentes nas
igrejas da costa norte da Madeira", justifica.
Refira-se que "o programa integra também estreias internacionais na Região,
interpretadas por músicos convidados de reputadas formações europeias
especializadas em música antiga, a par de intérpretes residentes na Madeira,
reforçando o caráter plural e formativo do projeto", aponta.
Com o terceiro concerto deste ciclo, reafirmamos a importância de aproximar a música barroca das comunidades e dos espaços sacros que são parte integrante da nossa identidade cultural. Barroco a Norte tem vindo a demonstrar, de forma clara, como a excelência musical pode dialogar com o património arquitetónico, oferecendo ao público momentos de grande profundidade estética e espiritual.”
O governante destaca ainda que "os concertos anteriores do
ciclo registaram uma boa adesão do público, refletindo o interesse crescente
pela música barroca e pela valorização dos espaços patrimoniais da costa norte
da Madeira" e salienta que "os dois concertos restantes, com o programa e
executantes apresentados, serão momentos imperdíveis", acredita.

