Uma equipa internacional de cientistas, incluindo o português
Fernando Schmitt, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do
Porto (FMUP), desenvolveu um método que usa inteligência artificial e
tecnologia 3D para melhorar deteção de células cancerígenas, foi divulgado em finais de Fevereiro.

"A utilização da inteligência artificial na clínica permite
avaliar as características celulares e classificá-las como normais ou
anómalas", explica Fernando Schmitt, citado num comunicado da FMUP enviado
à agência Lusa.

No resumo, a FMUP refere que o desenvolvimento deste novo método,
reportado na revista científica Nature, "promete revolucionar o
diagnóstico do cancro do colo do útero com uma abordagem inovadora em relação à
citologia cervical, mais conhecida como teste de papanicolau".

O trabalho publicado na terceira semana de Fevereiro demonstrou as vantagens de
uma nova forma de análise automatizada de amostras de células do colo do útero
com recurso à inteligência artificial, em comparação com o método tradicional
de citologia clínica.

"O objetivo é avançar mais precocemente para tratamentos que
salvam vidas", lê-se no resumo. Este trabalho de investigação contou
também com cientistas, hospitais e empresas do Japão, China e Estados Unidos.

De acordo com o professor da FMUP, que é também diretor da Unidade
de Investigação RISE-Health, a automatização deste rastreio vem acelerar o
diagnóstico de cancro do colo do útero, doença causada principalmente pela
infeção por Papilomavírus Humano (HPV), transmitido por via sexual, e
que representa 10% dos cancros nas mulheres.

Atualmente, as células colhidas são avaliadas no microscópio pelo
olhar do profissional.

O processo tem, no entanto, algumas desvantagens, como a
subjetividade da interpretação e a variabilidade do resultado.

Este novo sistema de inteligência artificial aplicado à
citologia tradicional é, descreve a FMUP, "o primeiro que consegue, de
forma completamente autónoma, fazer uma triagem das células anormais,
permitindo um
diagnóstico mais rápido, mais preciso e mais objetivo".

"A automatização da citopatologia
pode também detetar lesões precoces, acelerando e
melhorando o diagnóstico do cancro", acrescenta
Fernando Schmitt.

O novo método faz um 'scan' das células e reconstrói, em tempo
real, uma imagem em 3D que permite "ver" melhor as suas
caraterísticas.

Depois, a plataforma utiliza algoritmos avançados para agrupar
perfis semelhantes e identificar células anormais com maior exatidão,
diminuindo o risco de erro humano.

Esta abordagem, com recurso à IA, poderá ajudar profissionais
e laboratórios de anatomia patológica, ao fornecer um "mapa visual"
da classificação das células, sendo assim uma vantagem relativamente ao método
convencional.

"Espera-se que esta tecnologia
possa estar acessível em vários países, constituindo-se como um
importante instrumento na abordagem ao cancro do colo do útero, que continua a
afetar mulheres em todo o mundo", conclui a FMUP, lembrando que são sintomas
de alerta a hemorragia vaginal anormal, aumento do corrimento vaginal, dor
pélvica e dor durante as relações sexuais.