O Campo de Golfe do Faial vai estender-se por uma área de
700 mil m2, são 70 hectares, que em linha recta vão entrar cerca de dois quilómetros
pela ribeira adentro, transformando a paisagem e dinamizando a economia local e
regional. O Governo espera até ao final do ano começar a negociação das mais de
850 parcelas de terreno que compõem a área a abranger, não estando colocada de
parte a expropriação, para manter o projecto. A construção e exploração do
campo serão privadas e inclui, à semelhança da Ponta do Pargo, uma vertente
imobiliária.

O quarto campo de golfe da ilha da Madeira, o quinto da
Região, vai nascer da ponte do Faial para cima, em direcção à montanha vai
ocupar todo o vale da Ribeira, essencialmente zona verde e agrícola.

O secretário regional de Equipamentos e Infra-estruturas já
tem a planta parcelar, segue-se a identificação dos proprietários e a avaliação
com vista à aquisição dos prédios. Pedro Rodrigues assegura que a avaliação
será realizada “por perito independente e habilitado pelo tribunal“, contando ainda
este ano estar a mandar as cartas aos proprietários para o primeiro o processo
negocial. O secretário estima que custe pelo menos uns 25 milhões de euros aos
cofres públicos a compra dos terrenos.

A tarefa que se avizinha é trabalhosa, dado o número de
parcelas e a necessidade de chegar aos donos. “O nosso parcelar é tão complexo
e tão emaranhado”, desabafou. “Ainda estamos a pagar terrenos na Ponta do
Pargo”, referiu o governante, a título de exemplo da dificuldade subjacente ao
processo.

As pessoas às vezes nem têm registo da propriedade e em vários
casos os herdeiros residem fora da região e do país. “Nenhum particular, pelos
meios próprios de aquisição de terrenos, conseguia chegar lá”, garante o
secretário, respondendo assim aos que criticam a iniciativa do Governo
Regional.

A oposição entende que o Executivo não devia utilizar dinheiros
públicos para um projecto privado que deverá ser rentável. “Nós vamos fazer
apenas a expropriação e lançar em seguida a concessão, que é aquilo que os privados
não conseguem fazer”. Pedro Rodrigues assegura que nenhum investidor conseguiria
adquirir as mais de 850 parcelas. “Não é que não tenham dinheiro, ou pelo valor
do investimento, é pelas dificuldades legais para o registo de determinados
prédios”. E ao contrário do Governo Regional, nenhum privado têm a ferramenta
da expropriação, que será o recurso, caso o diálogo não seja bem-sucedido. “Há
um proprietário ali que não quer, não vamos deixar de fazer o campo de golfe
por causa disso”.

No Faial o processo será distinto do da Ponta do Pargo ou do
Porto Santo, onde os campos foram construídos para depois dar a exploração. A
ideia é assegurar a propriedade dos 70 hectares, deixando depois o projecto, a construção
e exploração serem tratados pelo privado que vencer o concurso público para
esse fim, retirando do erário público esse peso financeiro.

Em relação à área que vai ocupar o campo e a parte
imobiliária, Pedro Rodrigues avança que apanha o leito de cheia da Ribeira do
Faial, alguns terrenos cultivados, mas sobretudo área agrícola e zonas verdes.

Até à conclusão e abertura ao público será um processo demorado.
“Se nós conseguirmos ter neste mandato os terrenos todos adquiridos, era bom”, admitiu,
estando ainda a ver se conseguem até 2029 assegurar também o lançamento da
concessão. “Temos que adquirir os terrenos, vamos ver quanto é que dura este
processo”. Se envolver expropriações, é certo que vai arrastar-se no tempo.

O valor a pagar vai depender da avaliação, mas não será
menos de 25 milhões de euros, este é o montante estimado para a compra da área
onde será implantado o campo e restantes infra-estruturas. Haverá terrenos mais
valorizados e outros que serão vendidos por um valor inferior. “Apanha várias
zonas do PDM, portanto, com valores diferentes, a nível da avaliação”, observa
o secretário.

O investimento na preparação do futuro campo de golfe do Faial
é suportado a 100% pelo Orçamento Regional, através de um contrato-programa com
a Sociedade de Desenvolvimento do Norte da Madeira com este fim. Foi autorizada
ontem a distribuição de um valor máximo de 36 milhões de euros por três anos.
Para este ano estão previstos dois milhões, estão quatro milhões escalonados
para 2027 e os restantes 30 milhões de euros para 2028. A estes valores não
acresce o IVA.

O Governo Regional quer fazer um estudo prévio em relação ao
Campo de Golfe do Faial, tanto para a vertente de campo, como para a da urbanização.
“No fundo é para termos a certeza de que aquilo que vamos concessionar é
exequível e não uma mancha”, justificou o secretário. Sabendo o que é possível fazer
naquela área e em que condições, então avançar para a concessão, sendo o
projecto desenvolvido pelo vencedor.

O campo de golfe do Faial terá 18 buracos. O secretário
explica que não faz sentido investir num campo maior, com 27 ou 36 buracos, uma
vez que a ilha da Madeira tem outra oferta, conta com os campos de golfe do
Santo da Serra, Palheiro Golf e futuramente da Ponta do Pargo, que também não
deverá crescer.

“O jogador de golfe, quando passa uma semana num destino de
golfe, normalmente não repete o campo. Pode repetir no fim da semana, um campo
que gostou mais, vai lá repetir. O Porto Santo é mais difícil, não é? Porque
não consegue, só tem aquele”.

O titular da pasta das obras públicas frisa que a ideia não
é criar concorrência ao sector, mas alargar a oferta. “Vêm jogar ao Faial, vão
jogar à Ponta do Pargo, vão jogar ao Santo da Serra, vão jogar ao Palheiro Golf
e escolhem o seu melhor, para a seguir voltarem a jogar. Mas é um complemento”.

No ano passado a Madeira registou cerca de 85 mil saídas nos
campos, 40 mil só no Porto Santo, por isso acredita que há margem para crescer nos
campos da ilha da Madeira actuais, Santo e Palheiro, que juntos tiveram 45 mil
saídas.