O ex-presidente
do PS-Madeira e líder parlamentar dos socialistas na ALM, Paulo Cafôfo, usou
este domingo a sua página de Facebook para responder ao direito de resposta publicado
hoje no DIÁRIO, que o secretário-geral do JPP, Élvio Sousa, lhe dirigiu, após a
publicação de uma carta aberta também no DIÁRIO, a 3 de Fevereiro, intitulada “Carta
aberta a Miguel Albuquerque e Élvio Sousa”.

Na sua publicação, Paulo
Cafôfo começa por agradecer a resposta com ironia, reconhecendo que “mais vale
tarde do que nunca”: “O debate democrático sempre me motivou e a sua escrita
alegrou o meu domingo”. O tom cordial, porém, não tarda a dar lugar a críticas
directas, tanto ao líder do JPP como ao posicionamento político do partido.

Seguindo
o exemplo do próprio Élvio Sousa, que na sua carta recorrera a São Paulo, Paulo
Cafôfo também convoca o apóstolo para abrir o seu argumento, citando a
Epístola aos Filipenses: “Nada façais por vanglória, mas por humildade,
considerando os outros superiores a vós mesmos”. Uma citação que usou
deliberadamente para falar do que classificou como “vaidade e superioridade
moral”, que disse nunca terem sido “bons conselheiros, nem para quem governa a
Região, nem para quem lidera, agora, o maior partido da oposição”.

Sobre
o posicionamento centrista que o JPP tem vindo a reivindicar, Cafôfo é incisivo.
Para o socialista, “um centro que se proclama nem de direita nem de esquerda,
nem carne nem peixe, gera sempre uma legítima desconfiança”. Na sua leitura, “quando
a identidade política se dilui em nome da conveniência, a ambiguidade deixa de
ser prudência e passa a ser oportunismo”. E foi mais longe: “Não raras vezes,
aquilo que se anuncia como virtude, por estar no meio, revela-se, na prática,
radicalismo travestido de centro, ou pior, populismo com discurso higienizado”.

No
centro da polémica está o silêncio de Élvio Sousa sobre a segunda volta das
eleições Presidenciais. Paulo Cafôfo é directo: “Eu e muitos madeirenses
gostaríamos de o ter visto tomar posição pública sobre o apoio a um dos
candidatos na segunda volta das eleições presidenciais, fazendo-se valer da sua
liberdade de expressão como líder partidário, para que não existissem dúvidas de
que lado estava”. A escolha em causa era, nas suas palavras, entre “a moderação
do António José Seguro ou o radicalismo de André Ventura”. Para Cafôfo, a
ausência de qualquer tomada de posição não só não dissipou dúvidas como as
agravou: “Agora, mais do que nunca, essas dúvidas reforçam-se”.

Cafôfo
também não poupou críticas à forma como Élvio Sousa recorreu às Escrituras para
sustentar os seus argumentos. “Invocar São Paulo para insinuar seja lá o que
for não é sinal de coragem”, afirmou, devolvendo ao secretário-geral do JPP uma
das suas próprias referências bíblicas: “Foi o próprio Paulo quem advertiu: ‘Quem
és tu que julgas o servo alheio?’ (Romanos 14:4)”.

Quanto
ao conselho deixado por Élvio Sousa para “ouvir mais e falar menos”, Cafôfo
considerou-o uma “curiosa contradição”, precisamente porque vem de alguém que
acabara de exercer um direito de resposta. “A liberdade de expressão não se
protege pedindo silêncio ao outro. Ouvir é uma virtude, calar porque outro
ficou incomodado, nunca”, sublinhou.

O
socialista encerra a sua resposta de forma desafiante, rejeitando qualquer
tentativa de o fazer recuar no uso da palavra: “Despeço-me com a palavra livre,
porque quem nada deve, nada cala”.

A divergência
entre o socialista e Élvio Sousa teve início com a carta aberta de Cafôfo
publicada a 3 de Fevereiro, à qual Élvio Sousa respondeu invocando também ele
São Paulo e defendendo que “a liberdade de expressão, como doutrina ou direito
constitucional, também ensina que às vezes devemos ouvir mais e falar menos”,
uma frase que Cafôfo aproveitou agora para virar contra o próprio autor.