O Grupo D'Repente e
a Orquestra de Jazz encheram a sala de espectáculos do hotel Vidamar para um
concerto memorável, numa digna homenagem aos cordofones madeirenses e à sua
versatilidade.
O Festival Acorde foi
palco de uma simbiose perfeita entre a herança musical da ilha e a sofisticação
do jazz. Numa noite de sala cheia, os D'Repente uniram forças
com a Orquestra de Jazz para provar que os instrumentos
tradicionais da Madeira não têm fronteiras, resultando numa conjugação perfeita
entre as várias partes.
O grande destaque da
noite foi o protagonismo dado ao braguinha, ao rajão e
à viola de arame. Estes cordofones, tantas vezes confinados ao
registo popular, demonstraram uma capacidade de improvisação e uma riqueza
tímbrica admiráveis ao fundirem-se com os arranjos da orquestra. A profundidade
da viola de arame e o brilho rítmico do braguinha e do rajão criaram diálogos
musicais que surpreenderam pela modernidade.
O público vibrou ao
longo de todo o espectáculo, rendido à forma como a tradição se
"refrescou" com uma pitada de jazz. Foi um concerto que não só
celebrou o passado, como projectou os instrumentos madeirenses para novos palcos
e géneros, reforçando o papel do Festival Acorde na inovação cultural da Região.
A ovação final de pé,
na sala do Vidamar, foi o selo de sucesso para uma noite onde a música soube
ser, simultaneamente, memória e futuro.
