O Funchal acolhe, pela primeira vez, um encontro
internacional da Cruise Lines International Association (CLIA), associação que
representa cerca de 90% dos armadores de navios de cruzeiro a nível mundial. A
iniciativa reúne aproximadamente 400 participantes ligados ao sector, entre
companhias de cruzeiro, parceiros do turismo e agentes de viagens.
À margem de uma conferencia de imprensa no âmbito do evento,
a presidente da APRAM - Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira,
Paula Cabaço, sublinhou o carácter inédito da realização da cimeira na Região. “É
o momento único que estamos a viver, ao receber pela primeira vez um encontro
internacional de uma associação que representa 90% dos armadores de navios de
cruzeiro. É, de facto, uma ocasião única.”
A responsável destacou que o processo de candidatura teve
início em Janeiro de 2025, tendo a Madeira sido escolhida entre vários destinos
finalistas. “Foi uma grande responsabilidade, que abraçamos desde o primeiro
momento”, referiu, agradecendo à CLIA a confiança depositada na Região.
Segundo Paula Cabaço, a presença de cerca de quatro centenas
de participantes constitui uma oportunidade estratégica para o destino. “É uma
oportunidade de percebermos aquilo que se está a passar na indústria, os novos
desafios do sector, mas também de estarmos próximos das companhias a quem
queremos corresponder o mais possível.”
A presidente da APRAM manifestou convicção de que o evento
trará retorno futuro para a Madeira. “Não tenho dúvidas de que este evento nos
vai trazer retorno”, afirmou, revelando ter recebido feedback positivo de
representantes de companhias que visitaram a Região pela primeira vez, que afirmaram que "a Madeira é lindíssima" e que não faziam ideia. O objectivo agora, disse, é quebrar a sazonalidade, atraindo mais cruzeiros nos meses de Verão.
Também presente na iniciativa, o presidente e CEO da CLIA,
Bud Darr, considerou que a Madeira tem uma posição geográfica relevante nas
rotas de cruzeiros, sobretudo no reposicionamento de
navios entre diferentes regiões do Mundo.
“Geograficamente, sempre foi um ponto lógico de escala dos cruzeiros. E,
na indústria moderna, a rotação sazonal das frotas torna a Madeira um local
muito interessante para parar”, afirmou.
Bud Darr destacou ainda a conjugação entre a localização, o clima e a hospitalidade da Madeira como factores diferenciadores do destino para atrair linhas de cruzeiro: “Quando se
junta a geografia, a paisagem e o acolhimento das pessoas, temos ingredientes
muito fortes. Estou muito optimista quanto ao futuro deste destino.”
O responsável internacional destacou como "muito inteligente" juntar as ilhas do atlântico numa rota de cruzeiro.
Questionado sobre o papel que a Madeira pode desempenhar no
futuro do sector, o responsável defendeu um crescimento equilibrado, tecendo elogios ao Governo Regional nessa matéria: “Tudo
começa com o compromisso de crescer de forma responsável, equilibrando o
desenvolvimento do negócio com a preservação e a melhoria da qualidade de vida
dos residentes.”
O dirigente salientou também a importância do investimento
em infra-estruturas, incluindo soluções ligadas à transição energética. “A electrificação
dos portos pode fazer uma diferença imediata nas emissões locais”, referiu,
defendendo que fundos europeus e receitas provenientes de instrumentos
ambientais comunitários sejam reinvestidos na descarbonização do sector
marítimo.
A CLIA European Summit 2026 decorre até 26 de Fevereiro. A cimeira é organizada em parceria com o Governo Regional da Madeira e com a Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira (APRAM), centrando-se em temas como o crescimento sustentável da indústria de cruzeiros, a conectividade regional, a prontidão dos destinos, a descarbonização e a preparação de infra-estruturas portuárias.
