Quando o mercado pede preços que ultrapassam a capacidade das famílias em pagar as contas e essas contas são a habitação, o primeiro bem essencial, então o problema é exponencialmente dramático se esta leva praticamente todo o rendimento disponível, torna impossível esse direito ser suportado. É o que acontece neste momento com o mercado imobiliário, em que no Funchal o sector do arrendamento pede 93% do rendimento, tornando a capital madeirense a mais cara do país, entre as capitais de distrito e regiões autónomas.
"O
esforço financeiro exigido para arrendar uma casa em Portugal manteve-se
elevado, situando-se em 80% no quarto trimestre de 2025", refere o portal idealista que, analisa que "na compra de
habitação, a taxa de esforço nacional fixou-se nos 70%", mas que no Funchal essa taxa de esforço é superior em 32 pontos percentuais, ou seja leva todo o rendimento mais umas 'migalhas'. A compra de casa no Funchal é a segunda mais cara do país, logo atrás da capital portuguesa, Lisboa.
Segundo análise do "portal imobiliário líder no sul da Europa", arrendar ou comprar
casa "consome grande parte do rendimento familiar, refletindo as dificuldades
que muitas famílias enfrentam para aceder a habitação adequada. Apenas algumas
cidades apresentam condições menos pressionadas, mostrando que o mercado
imobiliário nacional permanece desafiante", adjectiva.
Assim, "das
20 cidades analisadas, as famílias continuam a enfrentar maiores dificuldades
para arrendar casa no Funchal, onde a taxa de esforço atinge 93% do rendimento
familiar. Segue-se Faro (90%) e Lisboa (84%). Com níveis também elevados surgem
ainda o Porto (69%), Setúbal (67%), Ponta Delgada (58%), Braga (57%), Aveiro
(55%), Viana do Castelo (55%), Évora (52%), Santarém (52%), Leiria (50%),
Coimbra (45%), Vila Real (43%) e Viseu (42%)".
Por
outro lado, "as rendas pesam menos no rendimento das famílias em Bragança (39%),
Beja (37%) e Castelo Branco (36%). As únicas cidades com taxas de esforço
próximas do limite recomendado de 33% são Portalegre (34%) e Guarda (34%),
mantendo-se como os mercados relativamente mais acessíveis para arrendar casa", realça.
Quanto à compra de casa em Portugal, "continua a exigir uma percentagem muito elevada do rendimento
das famílias em várias capitais de distrito. Das 20 cidades analisadas, Lisboa
é onde a compra de habitação representa o maior esforço financeiro, com uma
taxa de esforço de 113%, seguida do Funchal (102%) e de Faro (97%)", alinha o top-3 em ambos os requisitos.
"Com
níveis também elevados surgem Aveiro (77%), Porto (72%), Ponta Delgada (65%),
Braga (62%), Viana do Castelo (60%), Setúbal (58%), Leiria (58%), Coimbra
(54%), Évora (45%), Santarém (45%) e Viseu (41%), evidenciando que, na maioria
destas cidades, a compra de casa continua acima dos níveis considerados
sustentáveis", mas, por
outro lado, "apenas algumas capitais de distrito apresentam taxas de esforço
iguais ou inferiores ao limite recomendado de 33%. É o caso da Guarda (18%),
Portalegre (21%), Castelo Branco (22%), Beja (26%), Bragança (27%) e Vila Real
(31%), que se mantêm como os mercados relativamente mais acessíveis para
adquirir habitação", conclui.
O que é a taxa de esforço?
Segundo o idealista, "a taxa de esforço é um indicador que mede o
impacto do custo da habitação no poder de compra do agregado familiar. No caso
do arrendamento, calcula-se a taxa de esforço como a percentagem anual do
rendimento líquido médio do agregado familiar destinada ao pagamento do
arrendamento de uma casa. Os valores de arrendamento são obtidos diretamente da
fonte de dados do idealista, que disponibiliza preços para cada cidade. Por sua
vez, os dados do rendimento líquido familiar são fornecidos pelo Instituto
Nacional de Estatística (INE)".
Já no caso da compra de habitação, "a taxa de esforço
é calculada como a percentagem anual do rendimento líquido do agregado familiar
destinada ao pagamento de um crédito habitação que segue características médias
em termos de duração e taxa de juro. Recentemente, devido à descida nas taxas
de juro, procedeu-se a uma atualização do cálculo com base nos dados publicados
pelo Banco Central Europeu (BCE)", acrescenta a explicação.

