O sector da Hotelaria e Turismo tem “aumentado muito nos
últimos anos no número de hóspedes”, com a “duplicação dos preços dos quartos e
da restauração”, enquanto “os salários estagnaram”.
A denúncia é da Federação dos Sindicatos da Hotelaria e
Turismo que entende que o sector da continua a crescer sem que haja reflexos em
melhorias para os trabalhadores. Daí que esteja a promover uma concentração de protesto contra a
posição da Associação da Hotelaria de Portugal, acusando-a de se recusar a
negociar a “melhoria das condições de vida dos trabalhadores das unidades
hoteleiras”, negando “aumentos salariais desde 2009, há 17 anos consecutivos”.
A manifestação decorre junto às instalações do edifício do Cais da
Alfândega, onde se realiza o 35.º Congresso da AHP e levou o presidente da
associação, Bernardo Trindade, a dialogar com uma delegação sindical.
Os sindicatos reivindicam melhores condições de trabalho,
direito à negociação da contratação colectiva e dizem não à “retirada de
direitos” e aos “horários desregulados”. Também chamam a atenção para os
prémios obtidos pelo nosso País enquanto “melhor destino turístico da Europa e
um dos melhores do mundo”, considerando que tais prémios têm sido conseguidos “à
custa do empenho e profissionalismo dos trabalhadores do sector, apesar dos
baixos salários e da exploração” a que estão sujeitos.
Ontem, na sessão de abertura do
congresso da AHP, Bernardo Trindade, deixou
claro que
sendo o turismo “uma actividade de mão de obra intensiva, precisamos de pessoas”.
“Não nos bastamos a nós
próprios. Temos de trazer pessoas, assegurar o bom acolhimento e tê-las
connosco. Sempre dissemos, estamos disponíveis para formar, já formamos, dar
competências, já damos, agora não podemos assumir responsabilidades em áreas que
não são da nossa responsabilidade. Falo-vos da habitação. Até porque é nas
regiões onde há mais necessidade de habitação que se localizam as zonas onde há
mais turismo. Daí que a via verde do governo para simplificar as autorizações
de trabalho em Portugal, não é suficiente. Não conheço ninguém no turismo que tenha
acedido”, referiu.