O Porto e Norte afirmou-se como o principal destino
turístico dos portugueses em 2025, região que no ano passado, registou 5,4 milhões de
dormidas de residentes, sobretudo do sul, um crescimento de 4,5% face a 2024, e 3,3 milhões de
hóspedes nacionais, mais 4% do que no ano anterior.

Uma revelação feita pelo presidente do Turismo do Porto e
Norte de Portugal, Luís Pedro Martins, aos jornalistas, fazendo questão de salvaguardar que "não há guerra de rankings entre as regiões de Turismo", e que repetiu durante a sessão de abertura do 35.º congresso da AHP, em que revelou que a região consolidou também a diversificação internacional,
com a afirmação de mercados de longa distância. Os Estados Unidos ocupam hoje
a segunda posição no Porto e Norte e a primeira no Douro, crescendo 6,4%.
Brasil e Canadá continuam a melhorar desempenhos, enquanto mercados europeus como Irlanda,
Países Baixos e Reino Unido registam aumentos significativos, com o mercado
britânico a crescer 13,6% em 2025.

Para o crescimento verificado, Luís Pedro Martins destacou o papel do aeroporto
Francisco Sá Carneiro, que encerrou 2025 com 17 milhões de passageiros, um
crescimento expressivo face aos 400 mil registados há 35 anos. Para 2026, estão
previstas cerca de 130 rotas operadas por mais de 30 companhias aéreas,
incluindo ligações de longo curso com companhias como Delta Airlines, United,
Air Canada e Azul.

Um desempenho que poderia ser bem melhor, caso o aeroporto do Porto tivesse uma nova pista, reservando a actual para 'taxiway' e se a TAP cumprisse o que prometeu, embora dê “a última oportunidade” para a companhia provar que quer apostar de forma consistente no Norte, reconhecendo sinais positivos da actual liderança de Luís Rodrigues, por causa da ligação Boston-Porto, que passou a regular, e do anúncio de quatro novas rotas de longo curso para 2027, que vão privilegiar o Brasil e os Estados Unidos.

Críticas severas ao INE

Luís Pedro Martins entende que "o crescimento não é apenas quantitativo, é consistente e
equilibrado", pois sobe em volume, "mas sobretudo em valor”,. Contudo, lamenta que os dados pequem por defeito. Isto porque o Instituto Nacional de Estatística (INE) não
presta um bom serviço ao sector, ao não fornecer dados completos de algumas realidades e assim subavalia o
verdadeiro impacto do turismo em regiões como o Douro. Como exemplo, referiu as
dormidas realizadas em navios-hotel de cruzeiro fluvial, que não entram nas
estatísticas oficiais.

“Todos os turistas e noites feitas nos navios-hotel contam
zero para as estatísticas. Estes números que vos apresentei estão em défice e
poderiam ser muito superiores”, afirmou, lembrando que centenas de milhares de
dormidas ficam fora das contas oficiais, o que prejudica a leitura real do
desempenho turístico e o apoio à decisão política. Defendeu, por isso, a necessidade urgente de dados
científicos e rigorosos para avaliar a capacidade de carga dos destinos. “Por
vezes fazem-se afirmações empíricas, com base no ‘achómetro’. Precisamos de
dados para decidir melhor”, sublinhou.

Durante a sua intervenção no Congresso da Associação da
Hotelaria de Portugal, que decorre no Porto, Luís Pedro Martins, defende
ainda o investimento hoteleiro em Trás-os-Montes, já que a região reúne todas
as condições para crescer turisticamente, faltando apenas oferta de alojamento
qualificada que permita fixar visitantes. Aos produtos alinhados com as
preferências dos mercados — natureza, cultura, gastronomia, vinhos e património
— faltam unidades hoteleiras com o nível de qualidade exigido. “Quando chega a
hora de pernoitar, é aí que falhamos. Falta esta última componente”, sublinhou,
incentivando os empresários a “arriscar” e a avançar com projectos na região.

Também deixou vários temas para debate ao longo do
congresso, entre os quais a necessidade urgente de estudos científicos sobre a
capacidade de carga dos destinos, a discussão sobre a construção de novos
hotéis em zonas potencialmente saturadas e a aplicação da taxa turística, que
considerou excessivamente desigual entre municípios.