O parlamento regional iniciou, esta manhã, a discussão de um
projecto de resolução do PS que recomenda ao Governo Regional a "implementação
do modelo de habitação colaborativa sénior na Região Autónoma da Madeira”.

Isabel Garcês, que apresentou a proposta, defendeu a diversificação
das respostas ao envelhecimento activo e pediu um projecto-piloto neste novo modelo
complementar, com “critérios de sustentabilidade, acessibilidade,
acompanhamento técnico e avaliação contínua, visando promover a autonomia, a
integração social e uma melhor qualidade de vida para os cidadãos seniores da
Região”.

No entender da deputada socialista, “a realidade exige
políticas públicas que promovam não apenas cuidados assistenciais, mas também a
autonomia, o envelhecimento activo, a participação social e a qualidade de vida
dos seniores”. Adiantou depois que os dados da Região revelam que mais de 12
mil idosos vivem sozinhos e mais de 11 mil apresentam limitações de mobilidade,
o que reforça a necessidade de soluções sociais e habitacionais adequadas,
seguras e inclusivas, capazes de combater a solidão e o isolamento.

Isabel Garcês explicou que o conceito de Cohousing ou a habitação
colaborativa surgiu na década de 70 na Dinamarca e alargou-se pelo mundo,
abrangendo jovens e seniores. Os modelos
mistos de cohousing representam uma mais-valia para os mais jovens, pela
partilha de vida e de experiências, diminuindo as despesas no início da vida
ativa. Já para os mais idosos é a companhia de outros, reduzindo o isolamento
que muitas vezes ocorre nesta idade. Para
ser considerado cohousing ou habitação colaborativa, independente do modelo, os
espaços devem ter uma ligação comum, que tanto pode ser uma sala, um pátio ou
uma sala de convívio.

“A evidência científica demonstra benefícios claros no
modelo de habitação colaborativa para os idosos na redução da solidão, melhoria
da saúde física e mental, na sustentabilidade e eficiência energética, bem como
na diminuição dos custos em cuidados de saúde”, argumentou.

A parlamentar socialista descreveu que o modelo de Habitação
Colaborativa Sénior é uma resposta social de alojamento, com regulamentação
própria em Portugal, que respeita o ritmo de vida de cada um, as suas rotinas e
é bem distinto do contexto e dinâmicas das instituições residenciais, lares e
centros de dia. Em Portugal Continental já foram aprovados 22 projetos com
financiamento de 22 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência
(PRR) para a criação de habitação colaborativa e comunitária como resposta à
crise no acesso à habitação, a falta de respostas sociais e à promoção de
modelos de vida comunitária sustentável. Para a implementação do modelo de
habitação colaborativa sénior importa identificar e estabelecer parcerias, seja
com os municípios, com IPSS, Misericórdias, Cooperativas de Solidariedade Social,
Fundações e outras entidades sem fins lucrativos.

“Apesar de a Região Autónoma da Madeira ter beneficiado
de verbas do Plano de Recuperação e Resiliência, nenhum projecto de habitação
colaborativa sénior foi ainda apoiado”, lamentou Isabel Garcês.