Um amplo estudo britânico concluiu que, quando os tratamentos para
a obesidade são interrompidos, o aumento de peso ocorre quatro vezes mais rápido
do que após a interrupção de uma dieta e de um programa de exercício.

A investigação publicada em Janeiro destacou os efeitos
negativos da perda de peso inicial significativa, bem como as limitações do uso
isolado de medicamentos.

A nova geração de tratamentos para a diabetes e obesidade, que
potencia a ação de uma hormona que afeta a secreção de insulina (GLP-1,
abreviatura de peptídeo semelhante à glicose-1) e, de forma mais abrangente, a
sensação de saciedade, tornou-se extremamente popular nos últimos anos nos
países mais desenvolvidos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) chegou a incluí-la na sua
lista de medicamentos essenciais em setembro, além de ter solicitado versões
genéricas mais acessíveis para as populações dos países em desenvolvimento.

Foto DR/BMJ
Foto DR/BMJ

Estes tratamentos demonstraram, nomeadamente, ajudar as pessoas a
perder entre 15% e 20% do seu peso corporal.

"Tudo isto parece uma boa notícia", observou Susan Jebb,
especialista em nutrição em saúde pública da Universidade de Oxford e coautora
do novo estudo publicado na revista médica BMJ.

Mas dados recentes sugerem que "cerca de metade das pessoas
interrompe o uso destes medicamentos no espaço de um ano", destacou numa
conferência de imprensa.

Isto pode ser explicado pelos efeitos secundários comuns, como
náuseas, ou pelos custos muito elevados, que podem ultrapassar os 1.000 dólares
por mês para alguns doentes nos Estados Unidos - embora os preços tenham
começado a diminuir para outros.

Depois de analisarem 37 estudos sobre a interrupção de vários
tratamentos para a perda de peso, os investigadores descobriram que os
participantes recuperaram cerca de 0,4 kg por mês.

Seis dos ensaios clínicos focaram-se na semaglutida, o princípio
ativo do Ozempic, indicado para a diabetes tipo 2, e no medicamento para a
obesidade Wegovy, da gigante farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, bem como
na tirzepatida, utilizada no Mounjaro, da Eli Lilly.

Durante a utilização destes dois medicamentos, os participantes
destes ensaios perderam, em média, quase 15 quilos.

Após interromperem o tratamento, recuperaram 10 quilos num ano - o período de seguimento mais longo para estes medicamentos
relativamente novos.

E, de acordo com uma projeção dos investigadores, os doentes
voltarão ao seu peso inicial em média em 18 meses.

Os indicadores cardiovasculares, incluindo a pressão arterial e os
níveis de colesterol, voltaram aos níveis originais após 1,4 anos.

Enquanto isso, aqueles que seguiram programas combinando dieta e
exercício, sem medicação, perderam significativamente menos peso. Mas
demoraram, em média, quatro anos a recuperar o peso perdido.

Regra geral, "uma perda de peso significativa tende a levar a
uma recuperação de peso mais rápida", explicou Sam West, autor principal
do estudo, da Universidade de Oxford.

Mas o aumento de peso é, de acordo com uma análise separada,
"sistematicamente mais rápido após o uso de medicamentos,
independentemente da perda de peso inicial", acrescentou.

Uma possível explicação é que as pessoas que aprenderam a comer de
forma mais saudável e a fazer mais exercício continuam a fazê-lo mesmo quando
recuperam o peso.

Embora os medicamentos GLP-1 "sejam uma ferramenta
verdadeiramente valiosa no tratamento da obesidade, a obesidade é uma doença
crónica e recorrente", salientou Susan Jebb.

E "pode-se esperar que estes tratamentos precisem de ser
continuados durante toda a vida, como os medicamentos para a hipertensão".

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