O vereador do PSD na Câmara Municipal de Santana, António
Jorge Azevedo, critica a mensagem impressa nos copos oficiais do Festival
Agrícola e Repentista da Madeira (FARM), considerando inadequado que uma
autarquia associe o consumo de mais um copo à ausência de embriaguez, numa
sociedade confrontada com problemas de consumo de álcool e comportamentos
aditivos.
"Sou a favor do ecocopo, mas sou manifestamente
contra a mensagem que está no copo", declarou ao DIÁRIO, garantindo ter
manifestado a sua discordância na reunião de Câmara realizada há cerca de 15
dias.
António Jorge Azevedo admite que a expressão possa ser
entendida como uma brincadeira entre amigos, mas considera que ganha outro
significado quando parte de uma entidade pública. "Eu percebo o que as
pessoas queriam fazer. Percebo a ideia que queriam transmitir. Sei que isto é
uma coisa que usamos entre amigos", reconhece, antes de sublinhar:
"Agora, não aceito que seja um município a escrever uma frase
destas."
O vereador recorda ainda as declarações do director da
Casa de Saúde São João de Deus, que apontou o álcool como um dos principais
problemas da sociedade madeirense.
António Jorge Azevedo esclarece que a deliberação
submetida à reunião de Câmara incidiu sobre a autorização para a produção e
venda dos copos, não tendo a frase impressa sido discutida especificamente
pelos vereadores.
Segundo relata, quando o assunto foi apreciado, os copos
já estariam praticamente prontos. A justificação que recebeu foi a de que já
não havia possibilidade de alterar a mensagem. O vereador adianta que a sua
oposição ficou registada na acta da reunião.
Apesar de reconhecer a aceitação dos copos junto do
público, António Jorge Azevedo distingue a utilização de recipientes
reutilizáveis da mensagem escolhida. Para o vereador, a promoção de uma
alternativa ambientalmente mais sustentável não justifica uma frase que
considera inadequada.
O autarca defende que a comunicação institucional deve
ser ponderada, sobretudo quando aborda um tema sensível como o consumo de
álcool. A crítica surge durante a realização do FARM, em Santana, que decorre
entre hoje e domingo.

