A greve dos técnicos superiores
de diagnóstico e terapêutica está a provocar, esta sexta-feira, a paralisação
de vários serviços de saúde, educação e inclusão social na Região Autónoma da
Madeira. A adesão ronda os 90%, atingindo os 100% em diversas áreas, segundo os
primeiros dados avançados ao DIÁRIO por Cristina Caires, dirigente regional do
Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde (STSS).
Apesar de o levantamento dos
números ainda estar a decorrer, a responsável sindical confirmou uma adesão de
100% em áreas como a Radiologia, com implicações no funcionamento do Bloco Operatório,
Medicina Nuclear, Anatomia Patológica, Fisioterapia hospitalar, Terapia da Fala
e Audiologia. Também os serviços de colheitas para análises clínicas estão
fortemente afectados, não se realizando colheitas de rotina.
“Estamos a falar de uma adesão na
ordem dos 90%, com várias áreas a atingirem os 100%”, afirmou Cristina Caires,
confirmando que diversos serviços se encontram encerrados ou com a actividade
suspensa. Ressalvou, contudo, que estão assegurados os serviços mínimos
previstos.
O impacto da paralisação
estende-se a outras áreas da Administração Pública Regional. No Centro de
Inclusão Social da Madeira, a adesão aproxima-se igualmente dos 90%, enquanto
nos serviços de educação especial e nos centros regionais de integração se registam
níveis elevados de participação, nomeadamente nas áreas de Fisioterapia,
Terapia da Fala e Terapia Ocupacional.
“Estamos a falar de crianças que
ficam sem apoio, mas isto reflecte a grande insatisfação que existe por parte
dos técnicos”, sublinhou a dirigente sindical.
Para Cristina Caires, os níveis
de adesão demonstram o descontentamento dos profissionais, tanto com a tabela
remuneratória definida a nível nacional como com a ausência de respostas do
Governo Regional às reivindicações específicas dos trabalhadores da Madeira.
Entre as questões por resolver,
destacou a aplicação integral do Decreto Legislativo Regional relativo à
carreira, a adaptação do acelerador regional de progressões aos trabalhadores
do Serviço de Saúde da Região (SESARAM) com contrato individual de trabalho e a
regularização dos pontos de avaliação acumulados desde 2023.
A dirigente sindical reconheceu
que houve avanços legislativos, mas considera que a aplicação das medidas
continua incompleta, sobretudo devido às diferenças entre os regimes
contratuais dos profissionais que exercem funções nas secretarias regionais da
Saúde, Educação e Inclusão.
Outro dos problemas apontados é a
falta de recursos humanos, que, segundo Cristina Caires, tem contribuído para a
sobrecarga e exaustão dos trabalhadores. Recordou, a propósito, as duas escusas
de responsabilidade já apresentadas por profissionais das áreas de Radiologia e
Farmácia.
“Os colegas estão exaustos, com
todas as implicações que isso tem”, afirmou, alertando que a degradação das
condições de trabalho acaba por afectar também a resposta prestada aos utentes.
A greve nacional, que contesta a
revisão da tabela salarial da carreira, inclui na Madeira reivindicações
relacionadas com as progressões, a contabilização do tempo de serviço e a
contratação de mais profissionais.
Para esta tarde estão previstas
concentrações junto à Quinta Vigia, a partir das 14 horas, e posteriormente no
Palácio de São Lourenço, onde os manifestantes pretendem entregar uma moção de
repúdio à tabela remuneratória imposta à carreira.

