Os chefes da diplomacia de Portugal e dos Estados Unidos (EUA)
destacaram hoje a parceria histórica entre os dois países e o atual momento de
"grande desenvolvimento" nas relações comerciais, que querem
continuar a aprofundar.

"Portugal e os Estados Unidos são aliados históricos, unidos
por uma relação de longa data que defende o Estado de Direito, os valores
democráticos, que representa o mundo livre, e que têm laços cada vez mais
fortes na economia, na segurança e defesa, na educação e na cultura",
destacou o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português, Paulo
Rangel, durante uma conferência de imprensa após um encontro com o homólogo
norte-americano, Marco Rubio, que realiza hoje uma visita oficial a Portugal.

Para Portugal, os EUA "são um parceiro estratégico" e
"enquanto Estado-membro da União Europeia, Portugal é seguramente um dos
países que é campeão da prioridade que a Europa deve dar à relação
transatlântica", disse.

A visita de Rubio, referiu, "ocorre num momento de grande
desenvolvimento das nossas relações bilaterais, nomeadamente em setores-chave
como a economia e como o turismo".

O interesse de cidadãos e empresas dos EUA por Portugal continua a
crescer: no ano passado, os turistas norte-americanos geraram quase 11% das
receitas do setor. No primeiro semestre deste ano, ocuparam o terceiro lugar
como visitantes.

Por outro lado, frisou Rangel, as empresas portuguesas estão "cada
vez mais presentes" nos Estados Unidos, em setores como as energias
renováveis, farmacêutico ou automóvel, enquanto "também tem aumentado
muito relevantemente os investimentos norte-americanos em Portugal",
nomeadamente de empresas como Goldman Sachs, Aquaterra, UPS, IBM, AWS ou
Google.

Já Marco Rubio referiu que Portugal e Estados Unidos são
"parceiros há muito tempo".

O consulado dos EUA em Ponta Delgada, Açores, existe desde 1795,
"o que o torna o consulado americano em funcionamento contínuo mais antigo
do mundo", exemplificou.

"Aguardo com expectativa os próximos séculos de colaboração
entre os Estados Unidos e Portugal enquanto criamos uma aliança transatlântica
mais segura e mais forte e promovemos um futuro mais próspero para o nosso
povo", assinalou.

Rubio também se focou na diplomacia económica.

"Portugal desempenha um papel fundamental na promoção do
comércio dos EUA e na entrega de tecnologia americana ao continente europeu e
além. Por exemplo, os cabos submarinos de Portugal, a energia acessível, as
reservas de minerais críticos e os centros de dados em hiperescala fazem dele a
porta ideal, do ponto de vista geográfico e económico, para as empresas
tecnológicas americanas entrarem na Europa", referiu o secretário de
Estado norte-americano.

Rubio mencionou ainda que, no ano passado, empresários dos Estados
Unidos investiram mais de 20 mil milhões de dólares (cerca de 17,9 mil milhões
de euros) em Portugal, enquanto as empresas portuguesas investiram mais de dois
mil milhões de dólares (cerca de 1,8 mil milhões de euros) nos Estados Unidos,
"o que é um número elevado para um país deste tamanho".

"Isso só vai crescer e temos ideias sobre como vai continuar
a crescer. Os nossos governos vão continuar a traçar os caminhos necessários
para futuros investimentos nas indústrias críticas, como a superinteligência, a
aeroespacial, a defesa e outros setores estratégicos", destacou.

"Juntos, temos muitas oportunidades para expandir a
diplomacia comercial e as relações entre os nossos dois países de formas que
trarão não só lucro e prosperidade ao nosso povo, mas também trarão resiliência
e a segurança que advêm da resiliência contra riscos económicos e tecnológicos
futuros", disse.

A segurança dos cabos submarinos foi referida pelos dois
governantes.

"É algo em que as pessoas não pensam muito porque não se
veem, mas os cabos submarinos estão cada vez mais ameaçados em todo o mundo por
atores mal-intencionados que tentam aceder a eles e cortá-los em tempos de
conflito ou até como ponto de pressão. Isto surge em todas as reuniões que
fazemos pelo mundo simplesmente porque é uma preocupação partilhada que temos
com muitos, senão todos, os nossos aliados", comentou Rubio.

Rangel confirmou: "Não há reunião em que este assunto não
esteja sempre na agenda. É uma das nossas grandes preocupações, justamente
porque nós somos uma porta da entrada de muitos cabos submarinos que ligam os
dois lados do Atlântico".

Instados a comentar a dependência da China, Rubio defendeu que
"não é bom para nenhum país depender de qualquer país para 95% de qualquer
coisa" e "deve haver diversidade".

"Há um desejo da nossa parte, como penso que há da parte de
muitos países, de diversificar de onde obtemos as coisas, sejam minerais
críticos ou tecnologias-chave e coisas do género. Além disso, há sempre a
preocupação de que existem certas indústrias tão críticas para a nossa
segurança nacional que temos de ter cuidado com quem permitimos ou que tipo de
empresas permitem investir nas nossas economias. Isto é particularmente
sensível na biotecnologia, mas também é sensível nas telecomunicações",
referiu Rubio.

Já Paulo Rangel recordou que estão em vigor desde julho novas
regras da União Europeia sobre a avaliação do investimento, que "irão
reforçar a capacidade de controlo sob o ponto de vista da segurança dos
interesses nacionais e dos interesses vitais, seja económicos, seja de outra
ordem".