O estado da Flórida regista mais de 250 casos de dengue e
uma morte desde o início do ano, naquele que é o maior surto desta doença nos
Estados Unidos em mais de uma década.
Segundo dados divulgados hoje pelo Departamento de Saúde
americano, citados pela agência de notícia espanhola EFE, a Flórida registou
252 casos locais até 26 de setembro, aos quais se somam 245 casos importados,
ou seja, de viajantes que contraíram a doença noutro local.
O surto está prestes a ultrapassar os 264 casos locais
registados pelo Havai durante seis meses entre 2015 e 2016, e poderá bater o
recorde do maior número de infeções pelo vírus no território continental dos
Estados Unidos desde a década de 1940, informou a filial local da NPR, a rádio
pública nacional.
Foi declarado estado de emergência em três condados da
Flórida - Pinellas, Pasco e Hillsborough -, sendo o último epicentro do surto,
com 223 dos casos locais.
A cidade de Tampa, no condado de Hillsborough, registou há
um mês a primeira morte do ano por dengue na Flórida, uma mulher de 80 anos que
tinha sido picada por um mosquito.
Este surto de dengue mereceu a atenção a nível nacional
porque, embora seja comum em territórios como o Porto Rico e as Ilhas Virgens,
os casos são mais limitados em estados continentais como a Flórida, o Texas, o
Arizona e a Califórnia, de acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de
Doenças (CDC) dos Estados Unidos.
Os casos registados a nível global ascenderam a 14,6 milhões
em 2024, contra os 505 mil registados em 2000, de acordo com a Organização
Mundial da Saúde (OMS), que alerta para o facto de cerca de metade da população
mundial estar agora em risco de contrair o vírus.
A OMS apelou ainda no mês passado aos países afetados pelo
fenómeno do El Niño --- que implica águas mais quentes do que o habitual no
Pacífico --- para que reforcem a vigilância de doenças, uma vez que este
fenómeno pode favorecer a transmissão de doenças por mosquitos, como a dengue,
a malária e o zika, mesmo em zonas anteriormente não afetadas.
A dengue, transmitida pela picada do mosquito 'Aedes
aegypti' e que não se transmite de pessoa para pessoa, provoca febre e dores
musculares e articulares intensas, sintomas que podem surgir até 14 dias após a
picada.
A Madeira tem o vector (mosquito que transmite) a dengue e registou um surto em 2012.
