As autoridades francesas anunciaram hoje a proibição de manifestações em grande parte do centro de Paris, o que afeta um protesto estudantil convocado para quinta-feira, por receio de distúrbios "num contexto social de elevada tensão e reivindicações".

As áreas abrangidas incluem o Palácio do Eliseu (Presidência), o Hôtel Matignon (Primeiro-Ministro), a Assembleia Nacional e o Senado (Parlamento), bem como pontos turísticos como o Museu do Louvre e os Campos Elísios.

"A presença e circulação de pessoas que participem em cortejos, desfiles e ajuntamentos que não tenham sido notificados de acordo com as condições estabelecidas na lei são proibidas" na quinta-feira, das 08:00 às 20:00 (hora local), nestas zonas, segundo o decreto da Prefeitura de Polícia francesa.

A câmara realçou que existe o risco de "ações imprevistas em direção a centros de poder ou locais simbólicos", as quais poderiam "ter um impacto internacional".

Esta proibição soma-se ao recolher obrigatório parcial decretado em Paris para hoje à noite, o terceiro consecutivo.

Ainda não se sabe se a medida será renovada de quinta para sexta-feira.

As restrições visam conter os distúrbios ocorridos durante as manifestações de sábado, protestos contra o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos de saúde e educação.

Os distúrbios resultaram em danos em pelo menos 3.000 estabelecimentos comerciais.

Das mais de 2.500 pessoas detidas nos distúrbios registados em toda a França (95% homens e 70% maiores de idade), 174 tiveram a prisão preventiva decretada, segundo os dados mais recentes divulgados pelo ministro da Justiça, Gérald Darmanin.

As forças de segurança mantêm-se em alerta máximo face à convocação de uma nova ronda de mobilizações no próximo sábado, promovida pelos 'coletes amarelos'.

Os sindicatos franceses apelaram hoje a uma intensificação da luta com uma greve "tão ampla quanto possível a 05 de novembro", após uma reunião com o primeiro-ministro francês, que acusam de não ter tido em conta as suas reivindicações.

A secretária-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Sophie Binet, reiterou o pedido de mobilização após uma reunião com Sebastian Lecornu e vários ministros, na sequência dos protestos do passado sábado contra o custo de vida e para exigir melhorias na educação e na saúde.

"Chegou o momento de levar a mobilização para o próximo nível; a greve deve assumir o comando. A CGT, juntamente com a coligação sindical, apela a uma mobilização tão ampla quanto possível a 05 de novembro. Apelamos à realização de assembleias gerais em todo o lado, em todos os locais de trabalho, para generalizar a greve a 05 de novembro e para além dessa data", afirmou Binet.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, reagiu por sua vez desde o Qatar para pedir novamente firmeza contra os autores dos atos de violência e face à mobilização de sábado.

Macron denunciou ainda os "líderes estrangeiros" que "fazem campanha às custas da França", numa referência às declarações do homólogo norte-americano, Donald Trump, e do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, sobre os protestos.

Sem constatar "qualquer ingerência estrangeira visível" nestes acontecimentos, o líder francês denunciou ainda "uma manipulação estrangeira da informação que deu origem a comentários inaceitáveis e estúpidos por parte de muitos, incluindo líderes estrangeiros".