PSD e Chega atribuíram hoje às políticas socialistas "de portas escancaradas" à imigração a responsabilidade pela crise na habitação, enquanto PS e Livre culparam as medidas de sobreaquecimento do mercado tomadas pelo Governo e apoiadas pelo Chega.

O debate de urgência proposto pelo Livre sobre "emergência na habitação" foi marcado por vários confrontos políticos duros. O primeiro deles entre o co-porta-voz do partido Jorge Pinto e o presidente do Chega, André Ventura; depois, entre os líderes parlamentares do PSD e do PS, respetivamente Hugo Soares e Eurico Brilhante Dias.

Jorge Pinto fez uma referência à oposição movida pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, ao agendamento desse debate de urgência proposto pelo Livre, alegando violação de princípios regimentais.

"Aquilo que a Assembleia da República tem de fazer é ser a voz daqueles que nas ruas nos pedem soluções para os seus problemas reais e concretos", declarou em contraponto Jorge Pinto, numa intervenção em que acusou o Chega de ter sido "encostado às cordas" pelos portugueses, após ter assinado um acordo com o PSD para a revisão da lei do arrendamento.

"Da parte do Governo e do PSD vimos um discurso belicoso, quase uma provocação àqueles que pacificamente - e sempre pacificamente - estiveram nas ruas do Porto e de Lisboa. Vimos uma atitude da IL a menosprezar esses manifestantes e, pior, vimos a suprema hipocrisia do Chega, que vem agora dizer que, afinal, são precisas soluções para a habitação", afirmou.

A resposta do presidente do Chega foi violenta: "Não há maior hipocrisia do que o Livre falar de habitação, quando nesta mesma Assembleia da República votou contra a descida do IVA da construção".

Segundo André Ventura, "o Livre não quer nenhuma solução para a habitação, quer ocupar as casas das outras pessoas".

"Por causa do Livre, PCP, Bloco de Esquerda e PS entraram em Portugal 1,5 milhões de pessoas nos últimos anos. Expliquem-nos lá como é que num país de 10 milhões de habitantes os senhores deixaram entrar toda essa gente", disse.

Pouco depois, também o presidente do Grupo Parlamentar do PSD acusou os governos socialistas de estarem na origem da crise no acesso à habitação na sequência das suas políticas de "portas escancaradas à imigração".

"A urgência do Livre neste debate é exatamente igual à urgência do PS, do PCP e BE. Nos últimos oito anos de governação socialista, com a conivência da restante esquerda, quando se agudizaram as causas das dificuldades de acesso à habitação, não se viu uma manifestação. Onde estavam os senhores deputados da esquerda nessa altura?", questionou.

Hugo Soares deixou mais perguntas: "Há alguém que acha que o problema da habitação em Portugal nasceu hoje? Algum português acha que faltam casas em Portugal e isso nada tem nada a ver com o milhão de pessoas que o PS deixou entrar de forma escancarada em Portugal com o aplauso da esquerda?".

No final, também criticou a forma como alguns jornalistas têm feito a cobertura das "acampadas" em Lisboa e no Porto. Contou então o seguinte episódio:

"Muito me espantei hoje quando vi um cidadão português a ir junto das manifestações recolhendo cartazes que estavam mal expostos, mal colocados no nosso património. E a preocupação dos jornalistas era saber se aquele senhor, com comportamento cívico, se potencia a algum partido. Já algum jornalista perguntou aos manifestantes de que partido é são?", questionou.

Na resposta a Hugo Soares, o presidente do Grupo Parlamentar do PS acusou PSD e CDS de terem pretendido evitar um debate sobre a atual crise na habitação.

A crise na habitação, segundo Eurico Brilhante Dias, é "o resultado da governação do PSD, CDS, IL em coligação com o Chega".

"Quando foi necessário votar as rendas moderadas de 2300 euros, PSD, IL, Chega e CDS juntos viabilizaram-nas com benefícios fiscais para os senhorios. Quando foi preciso travar os vistos gold que aumentavam o preço das casas em Portugal, PSD, Chega, IL e CDS, em conjunto, juntos, criaram mais dificuldades aos portugueses. Quando hoje temos uma lei das rendas, que é uma lei dos despejos, mais uma vez, PSD, Chega, IL e CDS se juntaram", contrapôs.

O líder da bancada do PS recusou depois a ideia de que a crise na habitação esteja associada à imigração.

"A conversa das portas escancaradas não cola. Se as portas escancaradas eram em 2024, quando o PS governava, a verdade é que o crescimento do preço das habitações subiu ainda mais 2025 e 2026. Se os imigrantes estavam cá todos, como é que os senhores da direita dizem que são as portas escancaradas", sustentou.