As associações do Funchal que prestam apoio a pessoas com problemas de saúde mental, dependências e na inclusão social destacaram hoje que desempenham o seu trabalho com poucos recursos físicos e humanos, estando dependentes de financiamento público.
"Nós somos uma associação pequena, nós vivemos de financiamento público e alguns donativos privados, portanto, nós temos uma resposta bastante limitada e aquilo que podemos fazer exige que as pessoas estejam numa fase da doença com alguma organização ainda", afirmou a presidente da Associação Regressar a Si, que presta apoio a toxicodependentes e alcoólicos.
Rubina Sequeira, que falava aos jornalistas à margem do I Encontro do Associativismo do Social e Saúde, organizado pela Câmara Municipal do Funchal, realçou que o apoio dado abrange "uma franja pequena da população que precisa de ajuda urgente".
"Nós vamos fazendo aquilo que podemos com o dinheiro que dão", apontou Rubina Sequeira, referindo que a Regressar a Si tem um apoio de acompanhamento online, de internamentos e presencialmente a 18 reclusos.
A responsável ressalvou, porém, que a estimativa é de que "existam cerca de 5.000 pessoas com uma perturbação de uso de substâncias grave sem receber apoio".
Também Catarina Claro, da Associação Casa Invisível, destacou que "fixar recursos humanos é sempre um desafio".
"Somos uma equipa pequena, temos alguma falta de recursos humanos, mas fazemos o trabalho de muitas pessoas", assinalou.
A associação conta com o apoio da câmara do Funchal desde 2023, no projeto Trégua, que desenvolve competências artísticas dos reclusos com cerca de 50 participantes. Além disso, a associação desenvolve outros projetos de mediação cultural e artística.
Por seu turno, Paulo Nóbrega, da Associação de Familiares e Amigos do Doente Mental, indicou que presta apoio a cerca de 50 utentes, entre residentes e pessoas que frequentam o centro ocupacional, frisando que têm "chegado cada vez mais pessoas a precisar de apoio".
"Nos tentamos remar muito contra a maré, infelizmente eram necessários mais meios, tanto físicos, como recursos humanos. Somos poucos para a realidade que temos", apontou.
O presidente da Câmara Municipal do Funchal, Jorge Carvalho, salientou que objetivo deste I Encontro, que conta com a participação de 18 associações, é ter "um espaço de partilha" e poder reforçar a resposta social.
"Aquilo que nós pretendemos hoje com este encontro é que cada associação possa ter este espaço de partilha e, a partir deste mesmo espaço, podermos criar aqui um corpo com outra dimensão, com outra robustez, para que as intervenções sociais possam também ser mais capazes e mais competentes", sublinhou.
As associações participantes trabalham nas áreas da deficiência, saúde mental, adições, violência doméstica, sendo "uma extensão das entidades oficiais na comunidade", destacou o autarca funchalense.
