O movimento que promoveu a acampada no Porto pelo direito à habitação marcou uma nova concentração para as 19:00, na Praça D. João I, após terem sido hoje de madrugada obrigados pela polícia a retirar as tendas daquele espaço.

A concentração está a ser anunciada numa publicação numa das páginas da rede social Instagram do movimento, que explica que a reunião marcada para o final desta tarde é "no seguimento da intervenção policial no Porto e da violência policial em Lisboa".

O grupo está a manifestar-se contra o aumento do custo de vida e os preços da habitação desde o dia 10 e, na madrugada de quinta-feira, as forças policiais intervieram para pôr termo ao protesto e à acampada que então decorria na Praça D. João I, com o movimento a ter denunciado que aquela intervenção causou ferimentos a 37 ativistas.

No domingo, em assembleia popular, o movimento decidiu voltar a montar as tendas na praça, mas na madrugada de hoje, pelas 06:00, o grupo decidiu desmontar o acampamento perante a ameaça de uma intervenção policial.

Pelas 10:30, a praça continuava vazia, vedada com grades, e pelas ruas circundantes ao local já não se viam vestígios dos protestos dos últimos dias.

Na segunda-feira, o movimento pela habitação anunciou um pré-aviso de manifestação até dia 31 de dezembro.

"Fizemos um pré-aviso para ficarmos aqui de 21 de outubro [quarta-feira] a 31 de dezembro de 2026. O nosso objetivo não é ficar até 31 de dezembro, é conseguir soluções e um entendimento", disse aos jornalistas a porta-voz do movimento Maria João Calisto.

Esta manhã, o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, afirmou que "a normalidade democrática" foi reposta na cidade após a retirada dos manifestantes da Praça D. João I, depois de um ultimato da PSP para a sua desmobilização.

Em Lisboa, a PSP deteve hoje 55 manifestantes que alegadamente resistiram quando a força de segurança retirou as tendas da acampada que se encontrava na Praça D. Pedro IV (Rossio).

De acordo com a polícia, foi desenvolvida "no dia de hoje, pelas 05:45, uma operação policial nacional devidamente coordenada, na Praça D. Pedro IV (Rossio), em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto". Foram apreendidas, na capital, 228 estruturas de acampamento pela Polícia Municipal.