A União dos Sindicatos da Administração Pública e de
Serviços Municipais (USAM) aponta para uma redução na ordem dos 70% na limpeza
urbana noturna, no âmbito da greve em curso, segundo avançou Alexandre
Fernandes, coordenador da estrutura sindical. O responsável adiantou que os
restantes dados relativos à adesão estavam ainda a ser recolhidos.

"Neste momento ainda estamos em recolha de dados. O que
posso avançar é em relação à redução da limpeza urbana noturna de ontem à
noite, com um valor na casa dos 70%", afirmou Alexandre Fernandes.

O coordenador da USAM explicou que, ao longo da manhã,
seriam recolhidos mais elementos que permitiriam ter uma percepção mais completa
da adesão à paralisação nos diferentes sectores abrangidos.

O DIÁRIO sabe que algumas escolas foram afectadas, mas para já ainda não conseguimos apurar o impacto por exemplo na educação e, também, na saúde, que são sempre as paralisações mais impactantes para o dia a dia das pessoas.

Entre as principais reivindicações apresentadas pela
estrutura sindical está a valorização das carreiras e das profissões, com
particular enfoque na valorização salarial dos trabalhadores. Alexandre
Fernandes explicou que a acção sindical é direcionada sobretudo para as
carreiras gerais da Administração Pública, abrangendo trabalhadores com
diferentes funções.

"Esta greve tem como objectivo, sobretudo, as carreiras
gerais, dada a questão da gestão pública e, naturalmente, tem a ver, em termos
gerais, com a valorização das carreiras e das profissões e a
valorização salarial dos trabalhadores", afirmou.

A USAM, bem como as restantes estruturas sindicais aderentes, reivindicam também alterações ao actual sistema de
avaliação de desempenho, defendendo um modelo que considere mais justo. A
estrutura sindical contesta o actual SIADAP e reclama a sua substituição por um
sistema de avaliação diferente.

"Estamos também a lutar por um sistema de avaliação
justo, que vai de encontro à necessidade de remover o SIADAP, que é o actual
sistema de avaliação de desempenho", explicou Alexandre Fernandes.

Outra das reivindicações prende-se com os suplementos
associados às condições em que os trabalhadores desempenham as suas funções. A
USAM defende o aprimoramento dos subsídios de insalubridade e de penosidade,
bem como a inclusão da componente de risco em determinadas profissões.

A melhoria das condições de saúde e segurança no trabalho
constitui igualmente uma das prioridades apontadas pelo sindicato.
"Defendemos melhores condições para a saúde e segurança no trabalho",
sublinhou o coordenador da USAM.

A revisão das carreiras é outra das matérias destacadas.
Alexandre Fernandes considera que os trabalhadores foram integrados em três
grandes carreiras gerais, ou seja os assistentes operacionais, os assistentes técnicos e os técnicos superiores, sem que, na perspectiva da estrutura sindical, tenha sido
devidamente reconhecida a especificidade das diferentes profissões.

"Fomos incluídos em três grandes carreiras gerais,
assistentes operacionais, assistentes técnicos e técnicos superiores, mas
queremos que, dentro das nossas profissões, estas sejam reconhecidas e
consideradas", afirmou.

Para a USAM, a revisão das carreiras e a valorização
profissional constituem, assim, uma das principais frentes reivindicativas, a
par das questões salariais, do sistema de avaliação e das condições de
trabalho. "É este um dos grandes objectivos, entre muitos outros,
obviamente", concluiu Alexandre Fernandes.