O consulado-geral do Brasil em Lisboa alertou hoje para a
possibilidade de os títulos eleitorais físicos poderem estar desatualizadas e
pediu aos cidadãos brasileiros que confirmem os seus dados no 'site' do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"O consulado[-geral do Brasil em Lisboa] recomenda que os
eleitores consultem o 'site' oficial do Tribunal Superior Eleitoral
(www.tse.jus.br) para verificar os dados da sua inscrição eleitoral,
especialmente a secção em que estão registados. As informações impressas nos
títulos físicos podem estar desatualizadas e não corresponder aos dados atuais
do cadastro eleitoral", alertou a representação diplomática brasileira
numa nota de imprensa enviada à Lusa.

Na mesma nota explicou que os títulos emitidos até 2006 que não
tiveram movimentação foram excluídos do cadastro eleitoral. Por isso, mesmo que
o eleitor ainda tenha o documento físico, ele pode não corresponder a uma
inscrição eleitoral ativa, acrescentou.

"Já os títulos emitidos entre 2006 e 2017/2018 podem
apresentar informações incorretas ou desatualizadas. A partir de 2017/2018, a
Justiça Eleitoral deixou de emitir títulos no antigo modelo de
papel-moeda", referiu.

Assim, o consulado esclarece que os eleitores podem utilizar o
e-Título - uma aplicação oficial da Justiça Eleitoral - ou
emitir uma versão simplificada do título pelo 'site' do TSE, que pode ser impressa
em papel.

"A consulta aos dados atualizados nos canais oficiais é
fundamental para confirmar as informações eleitorais", aconselhou.

Especificamente sobre Lisboa, o maior colégio eleitoral fora
do Brasil, constituído 78.607 pessoas, o consulado alerta que, no
e-Título, "aparece a indicação 'Universidade de Lisboa - Reitoria -
Direito - Letras', todas juntas, sem distinção".

"Isso [acontece] porque no sistema da Justiça Eleitoral tudo
está unificado na Zona Eleitoral do Exterior (ZZ) Portugal. Mas para dar mais
conforto ao eleitor, o Consulado em Lisboa preparou três prédios de votação:
Reitoria, Direito e Letras", explicou.

Segundo a diplomacia brasileira, no local haverá sinalização e
equipas de apoio indicando em qual edifício e sala exata está a secção de
cada cidadão.

No entanto, o consulado-geral do Brasil em Lisboa disponibilizou,
no seu 'site', uma página para consulta do local exato de votação.

No 'site' do consulado
(www.gov.br/mre/pt-br/consulado-lisboa/eleicoes-2026), "clicar na aba
'Eleições 2026', informar o número da secção eleitoral e saberá onde deverá
votar, incluindo o edifício e o andar", especificou.

Além disso, assegurou que as alterações de locais de algumas
secções eleitorais para a votação da segunda volta, em 25 de outubro, anunciadas
pelo TSE, não impactaram Lisboa.

Face à abstenção que marcou a primeira volta - 63,56% em Lisboa -
o consulado diz esperar uma mudança de cenário.

"O cenário poderá ser diferente no segundo turno. A
expectativa é de um comparecimento de cerca de 50%", indicou.

Portugal tem 134.797 eleitores brasileiros aptos a votar nas
eleições de 2026, um crescimento de 481,5% em relação a 2010, quando havia
23.182 eleitores inscritos no país. Do total, 57% são mulheres e 43% homens,
descreveu.

Na primeira volta, realizada em 4 de Outubro, Flávio Bolsonaro
obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem
de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas
presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira
votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.