A Madeira tem talento, ambição e razões de sobra para acreditar no seu potencial. Em coro ou a solo, vozes de diversos quadrantes, umas mais sonantes do que outras, fazem saber que temos tudo, excepto ouro e petróleo, para dar que falar. Afirmarmo-nos como um pólo de criatividade, capaz de atrair investimento, inovar na saúde, diversificar o turismo, modernizar a economia e projectar-se no Atlântico como uma Região de excelência, não é uma utopia. Aliás, há projectos, iniciativas, estratégias e discursos que alimentam o sonho. Só que tudo se complica quando confrontamos o futuro anunciado com o presente que continuamos a oferecer. Estamos a transformar o potencial em qualidade de vida ou a tornar-nos especialistas em anunciar o futuro enquanto adiamos as soluções para o presente? Toda a gente sabe que a Região não se impõe apenas pela capacidade de atrair visitantes, captar investimento, organizar cimeiras, apresentar projectos inovadores, inaugurar obras milionárias ou celebrar os seus méritos e encantos. Mede-se também pela possibilidade de um jovem comprar casa, de uma família suportar as despesas mensais, de um trabalhador denunciar o assédio sem recear ficar desprotegido, de um cidadão obter respostas das instituições ou de um problema identificado há anos deixar finalmente de existir.
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Uma Região de excelência é aquela que deixa de adiar o presente