A Madeira deverá contar, em breve, com a possibilidade de
realizar terapia com Células-T, um tratamento inovador, mas que, neste momento,
aguarda validação por parte do Instituto Português do Sangue e da
Transplantação. A informação foi avançada, esta manhã, por Micaela Freitas, à margem
da abertura da conferência HemaOnco Day 2026, que decorre no Colégio dos
Jesuítas.
Na ocasião, a secretária regional da Saúde e Protecção Civil explicou
que este investimento do Governo Regional vai permitir o tratamento a doentes
com determinados tipos de linfoma, evitando deslocações aos quatro centros de
referência de Portugal Continental. Neste momento, cerca de seis doentes por
ano são obrigados a fazer estas deslocações para tratamento.
No entanto, a tutela estima que, na Madeira, o tratamento possa
chegar a 11 pessoas por ano. Por outro lado, a governante confirma que “este
tratamento, neste momento, está autorizado para um determinado tipo de linfoma,
mas deverá ser estendido a outro tipo de doenças, podendo beneficiar ainda mais
pessoas”.
O novo equipamento foi instalado este ano, no Hospital Dr.
Nélio Mendonça, aguardando então a autorização formal para que se possa aplicar
a terapia na Região. Os profissionais de saúde estão também já capacitados para
iniciar estes tratamentos, que estão dependentes dessa validação.
“No fundo, as pessoas que fazem tratamento no continente têm,
por algum tempo, de suspender as suas vidas”, assume Micaela Freitas, acrescentando
que estas deslocações são feitas contando também com acompanhantes.
Reeducar as células-T
Márcia Alves, docente e membro da organização deste evento,
explica que as células-T servem para o combate de infecções e corpos estranhos.
O sangue do utente é retirado, para que possam ser extraídas as células-T, que
são posteriormente multiplicadas em laboratório. “Existe toda uma logística de
transporte, armazenamento, e novamente a infusão que todas as toxicidades pode
dar ao utente”, explica.
O evento HemaOnco Day 2026 é organizado pela Escola Superior
de Saúde da Universidade da Madeira.
Apesar de ser necessária quimioterapia, a terapia com
células-T permite uma infusão de células do próprio utente que foram “reeducadas”
para combater as células tumorais.
Esta não é a primeira linha de tratamento e está mais dirigido para hematologia.

