As primeiras eleições presidenciais na era democrática em
Portugal coincidiram com as primeiras eleições regionais, tanto na Madeira, como nos
Açores.

Os dois sufrágios ocorreram a 27
de Junho de 1976, elegendo António Ramalho Eanes como o primeiro
Presidente da República eleito na nova democracia portuguesa e uma maioria PSD
no parlamento madeirense.

A coincidência da data não
foi casual. Resultou do calendário constitucional da transição
democrática após o 25 de Abril. A Constituição foi aprovada a 2 de Abril
de 1976 e nesta ficaram definidos o Presidente da República como
órgão eleito por sufrágio universal r criação das Regiões Autónomas dos Açores e
da Madeira, com assembleias legislativas próprias.

O objectivo político era completar
rapidamente o quadro institucional do novo regime e realizar os dois actos
eleitorais no mesmo dia acelerava a consolidação democrática, reduzia custos e
complexidade logística e dava um sinal político forte de normalização
democrática, incluindo as Regiões Autónomas desde o início.

27 de Junho de 1976 tornou-se assim um dia fundador
em três dimensões. Não só consolidou o regime democrático nacional, instituiu
a Presidência da República democrática r deu início à autonomia
regional eleita, no mesmo plano de legitimidade democrática.

A democracia portuguesa nascia inteira no continente e
nas regiões autónomas. Mas houve tentativas das Regionais serem noutra data.

A 5 de Maio de 1976, o DIÁRIO noticiava que as eleições para
a Assembleia Regional se iriam realizar "provavelmente) no dia 30 de
Junho" desse ano, dando conta das recomendações feita na véspera pelo
Conselho da Revolução ao Presidente da República para que as eleições
presidenciais fossem marcadas para o dia 27 de Junho e as eleições nas Regiões
dos Açores e Madeira para o dia 30 desse mesmo mês.

Neste primeiro acto eleitoral, seriam eleitos para a
assembleia regional um total de 40 deputados divididos por 11 círculos (tantos
como os concelhos) e previam-se 9 dias de campanha eleitoral.

Apesar deste pedido do Conselho da Revolução, a 1 de Junho,
seria publicado em Diário da República, um decreto assinado pelo presidente
Francisco Costa Gomes, a marcar as eleições regionais para 27 de Junho, o mesmo
dia das eleições presidenciais.