A nutricionista, Débora Pita, que possui uma página nas
redes sociais dedicada à nutrição pediátrica, chamada ‘Bebé na mesa’, reconheceu
que o cuidado com a alimentação das crianças está muito presente no primeiro
ano de vida, mas que os erros acabam por surgir quando passa a ser semelhante à
dos pais.
O mais recente relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), baseado na
sexta edição do estudo da Iniciativa Europeia de Vigilância da Obesidade
Infantil (COSI), mostrou que “a epidemia de obesidade em crianças na Europa
permanece elevada”.
A análise, publicada em Novembro último e, que contou com os dados de mais de
470 mil crianças de países europeus, mostrou ainda uma percepção distorcida por
parte dos pais, já que dois terços dos progenitores de crianças com excesso de
peso indicaram que os filhos tinham peso normal ou até mesmo abaixo deste.
“Os erros têm a ver mais com a literacia alimentar, porque muitas vezes quando vamos
ao supermercado, olhamos para o alimento e limitamo-nos a ver se diz que é sem
adição de açúcar e apto para crianças, não procuramos saber que ingredientes
leva realmente”, apontou a especialista em nutrição, enfatizando que estes
alimentos “podem conter açúcar de uma forma camuflada, assim como gorduras”.
Uma forma muito simples de encontrar o “açúcar escondido” no
rótulo dos alimentos, segundo Débora Pita, “passa por prestar atenção aos
ingredientes que terminam em ‘ose’, por exemplo, maltose, frutose, que, no
fundo, são açúcares adicionados”.
“A maltodextrina também acaba por ser um
açúcar simples, que muitas vezes se encontra nas papas de bebé e em bolachas”,
apontou.
As rotinas em contra-relógio, são propensas a tudo o que são
escolhas mais rápidas e que garantam que a criança vá comer, sem dar ‘luta’,
como é o caso do ‘fast food’, mas que acabam por “impactar, negativamente, o
rendimento escolar e a qualidade do sono”, dos mais pequenos.
“O que acontece é que temos cada vez menos crianças a comer fruta e legumes, porque durante a refeição obriga os pais a estarem a forçar, e os mesmos não têm paciência para esse momento”, sublinhou a profissional, na entrevista
presente no canal do DIÁRIO, no YouTube.
Sobre a ideia muitas vezes difundida de que o importante é que a criança esteja
a comer, a nutricionista chamou à atenção da relevância da qualidade dos
alimentos.
É claro que uma criança que passa o dia todo a comer
bolachas ou iogurtes, nunca vai ser uma criança que tem um bom rendimento,
tanto na escola como no exercício, vai ser uma criança que está mais cansada. Temos
de garantir que ela come boas refeições, pequeno-almoço, almoço, lanche e
jantar, e que nestes estejam aqueles alimentos que estão incluídos na dieta
mediterrânica, proteínas, hidratos de carbono e gorduras.
Levada a comentar quais são os riscos do extremismo, respondeu que “os
pais querem ser perfeitos e que tentam fazer o melhor, principalmente no que
podem controlar”.
Para Débora Pita, deve existir sempre um equilíbrio, incluindo na alimentação “o que não é
saudável, de forma esporádica”.
“Uma criança que vai ver um alimento como proibido, sem equilíbrio, pode trazer
as tais perturbações do comportamento alimentar, que, ultimamente, não é assim
tão estranho e há cada vez mais casos. Falo aqui da compulsão alimentar, anorexia, que se tem visto muito em idade escolar e, também, a própria bulimia”,
frisou.
Saiba que estratégias deixou a nutricionista para lidar com
crianças selectivas ou que resistem a novos alimentos, quais são os nutrientes
fundamentais nesta fase de desenvolvimento e como o exemplo dos pais à mesa
pode influenciar os hábitos alimentares das crianças.
Fique a par da opinião da especialista em nutrição sobre a recompensa, através
de alimentos, quando as crianças comem a sopa ou os legumes todos do prato.