A
Madeira estará representada no XXVIII Certame Internacional de Regueifas (Retranca,
Oralidade, Improvisación e Rima), a realizar-se na Galiza, até 26 de Janeiro, através da Associação Musical e Cultural Xarabanda.
Em nota emitida, a instituição revela que o convite para participação no evento partiu do Centro
Cultural Artístico e Recreativo de Valadares – Vigo, que acolhe
o encontro internacional dedicado ao canto improvisado.
A
representar a Região Autónoma da Madeira estará o Grupo
D’Improviso, composto pelos músicos e improvisadores João Vieira,
Gilberto Reis, Guilherme Órfão e Roberto Moniz, que levarão à
Galiza algumas das mais emblemáticas expressões do improviso musical
madeirense.
A participação insere-se no âmbito do projecto de recuperação e salvaguarda das tradições
musicais que a Associação Xarabanda tem vindo
a desenvolver, com o objectivo de dar continuidade à prática do Despique em
forma de Bailinho, do Charamba e
de outras formas tradicionais de improviso, como as mouriscas,
o baile da meia-volta, a meia-noite,
o baile do ladrão, entre outras manifestações do
património imaterial da Região.
Para Gilberto Reis,
já com experiência em encontros internacionais desta natureza, esta
participação representa mais uma oportunidade significativa de contacto com
outras culturas e formas de improviso, ao mesmo tempo que permite divulgar a
identidade cultural madeirense junto de novos públicos. O improvisador sublinha
que, sempre que a Madeira se apresenta além-fronteiras, as suas tradições "são
bem acolhidas e valorizadas", acrescentando que estas parcerias e festivais têm
contribuído para "um crescente interesse dos mais jovens pelo canto improvisado,
que se juntam aos praticantes mais experientes". Segundo Gilberto Reis, o Despique e
o Charamba continuam "activos e a conquistar novos
intérpretes".
Já João Vieira,
que participa pela primeira vez num evento internacional fora da Região,
considera que esta deslocação à Galiza terá um impacto marcante na sua vida
pessoal. O jovem improvisador refere que, para além do gosto em ouvir e
praticar os cantares da sua terra, "é ainda maior o orgulho de os representar
fora da Madeira". João Vieira acredita que esta experiência poderá também servir
de estímulo para cativar jovens da sua geração para o mundo do improviso,
reforçando que "as tradições são as raízes e a base da identidade cultural", não
devendo ser deixadas desaparecer.
Nas
últimas décadas, a Galiza tem desenvolvido um
forte trabalho de recuperação da regueifa, a sua forma tradicional
de canto improvisado. O esforço tem envolvido associações culturais, como
a Associação Oral, bem como projetos implementados em
escolas públicas, nomeadamente a Regueifesta, permitindo a adesão de
um número significativo de jovens a esta prática. O Certame
Internacional de Regueifas é apenas um dos vários
encontros de canto improvisado que se realizam ao longo do ano naquela região,
promovendo o intercâmbio cultural e a valorização das tradições orais.

