O Livre, através de comunicado, vem manifestar a sua "total oposição" à decisão do Governo Regional de alienar o Hospital Dr. Nélio Mendonça.
A intenção de vender este
activo histórico para financiar a construção do novo hospital Central é uma
falácia económica e um erro social histórico que ignora as carências gritantes
da população madeirense, especialmente no que toca ao apoio à terceira idade e
à gestão das chamadas altas problemáticas.
Segundo o partido, a Região dispõe actualmente de instrumentos financeiros suficientes, como o Madeira 2030 e o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para viabilizar a nova unidade hospitalar, não se justificando a alienação de património público com potencial para responder à escassez de camas de retaguarda e à ausência de lares públicos. "Esta
estratégia revela uma inversão de prioridades preocupante: enquanto se
canalizam milhões de euros para projetos de lazer e luxo, como o polémico campo
de golfe do Faial, retira-se da esfera pública um edifício que poderia ser
a solução definitiva para o bloqueio das camas hospitalares e para a falta de
lares públicos", sublinha.
O Livre considera "desonesto" o
argumento de que o edifício é tecnicamente inconvertível e justifica que a adaptação de
hospitais centrais para unidades de cuidados continuados e lares "é uma prática
comum e eficiente" que aproveita infra-estruturas pré-existentes de oxigénio
medicinal e acessibilidade, "sendo uma opção muito mais sustentável do que a
nova construção ou a venda para fins especulativos".
Ao optar
pela venda, o Governo Regional está a escolher deliberadamente alimentar o
mercado de luxo e dos vistos gold, em vez de garantir a dignidade daqueles que
já não necessitam de cuidados hospitalares agudos, mas que não têm para onde
ir.
Perante este "cenário de opacidade", o Livre exige a paragem imediata do processo de alienação
e a convocação de uma Consulta Pública vinculativa.
"Os madeirenses têm o
direito democrático de decidir se o futuro da Cruz de Carvalho será um
condomínio de luxo fechado ou um Polo Público de Saúde e Cuidado que sirva as
gerações que ajudaram a construir esta Região. Com mais de 1.000 idosos em
lista de espera para lares na Madeira, a perda de 54.000 m² de área de saúde
sem uma alternativa equivalente é um risco de segurança social", afirma, reiterando ainda o seu apoio a todas as iniciativas de acção popular que visem travar este
negócio imobiliário e proteger o direito à cidade e à protecção social,
defendendo que o dinheiro público deve servir as pessoas e não apenas o
investimento estrangeiro de alto débito.
A governação
de um arquipélago não pode ser gerida como um portefólio imobiliário. É tempo
de colocar a qualidade de vida dos residentes e a rede de cuidados sociais no
centro da agenda política, pondo fim a um ciclo de betão que serve apenas para
o usufruto de poucos, enquanto se negligencia a retaguarda dos mais
vulneráveis. Vender este hospital para construir hotéis ou condomínios de luxo,
enquanto os nossos idosos aguardam meses por uma vaga num lar, é uma falha
moral grave. É o triunfo do golfe e dos vistos gold sobre a geriatria e a
dignidade humana.

