O audiologista, Tomás Cardoso começou por referir, na entrevista presente no
canal do DIÁRIO no YouTube, “o aumento preocupante da prevalência da perda
auditiva, que já não é um problema exclusivo da terceira idade”.
Segundo o especialista, que tem como domínios de intervenção a prevenção, diagnóstico
e reabilitação de pessoas com perturbações auditivas, quase meio
milhão de portugueses vivem com dificuldades relacionadas com a audição.
Questionado sobre que faixas etárias inspiram maior
preocupação, o profissional de saúde indicou que reside entre os 12 e os 34
anos, tendo apontado que “por volta de mil milhões de adolescentes e jovens
adultos poderão sofrer de perda de audição devido a práticas auditivas pouco
seguras”.
“Na perda auditiva neurossensorial causada pelo ruído, o dano é permanente. As estruturas do ouvido que nos
permitem ouvir são muito sensíveis e, quando ficam com lesões por causa do
ruído, não voltam a recuperar”, afirmou o especialista.
De acordo com Tomás Cardoso, o risco está na carga sonora
constante, que ao longo do tempo, deixa marcas irreversíveis na audição, tendo explicado
que ao contrário das gerações anteriores, que estavam expostas sobretudo ao
ruído laboral, actualmente a exposição é voluntária, diária e prolongada, seja
através dos fones de ouvido, música alta, jogos, concertos ou discotecas.
A preocupação é real. Estamos a ver jovens de 20 anos com padrões de desgaste
auditivo cada vez mais elevados, em relação às gerações anteriores. Isto
acontece porque a exposição ao som mudou completamente.
O aumento de queixas auditivas entre os mais novos “tem relação directa com a
utilização de fones”, segundo o audiologista, que apesar de assumir que existem
algumas diferenças relacionadas ao tipo de dispositivo utilizado, fez questão de sublinhar que "o mais importante continua
a ser a forma como são usados".
"Os fones de ouvido facilitaram o acesso à música e ao entretenimento, mas
trouxeram um risco: o som entra directamente no canal auditivo, sem dispersão, e
muitas vezes em intensidade elevada, muito acima dos valores seguros
recomendados pelos dispositivos”, explicou, enfatizando que quando usados por longos
períodos, “o ouvido não tem tempo para recuperar da fadiga auditiva.
Na entrevista que integra a rubrica DIÁRIO-Saúde, o especialista em audiologia
explicou quais são as diferenças entre os fones intra‑auriculares, supra‑auriculares
e os com cancelamento de ruído e porque defende que o rastreio auditivo
pré-escolar deveria ser obrigatório.
Tomás Cardoso enumerou ainda os sinais que merecem atenção
em adultos e crianças e que medidas preventivas podem ser adoptadas para proteger
a audição.