A
primeira sessão plenária do Parlamento Europeu de 2026 - que decorre desde
ontem e até quinta-feira na cidade francesa de Estrasburgo e que será
acompanhada in loco pelo DIÁRIO - é dominada pela cerimónia de comemoração dos 40 anos de adesão de Portugal e de Espanha à então Comunidade Económica Europeia (CEE) que terá sessão solene amanhã com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, bem como o rei de Espanha, Felipe VI.

Uma sessão que aborda diversas temas internacionais e de defesa, alguns dos quais com interesse para a Região. Hoje à
tarde os eurodeputados vão debater com a Alta Representante para a Política
Externa e de Segurança da União Europeia, Kaja Kallas, a situação na Venezuela,
após a intervenção dos Estados Unidos da América (UEA) em Caracas, levando à
força o presidente Nicolas Maduro e a sua mulher, Cília Flores, que serão
julgados por narcoterrorismo, entre outras acusações.

Os
eurodeputados deverão salientar a
necessidade de uma transição rápida e pacífica para uma verdadeira democracia
na Venezuela.

Em
2024, o Parlamento Europeu atribuiu o Prémio Sakharov para a Liberdade de
Pensamento aos políticos da oposição venezuelana María Corina Machado e Edmundo
González Urrutia. Este último foi também reconhecido como presidente legítimo
do país pelos eurodeputados numa resolução aprovada no mesmo ano.

"Trágico acidente" motiva minuto de silêncio

Os trabalhos da sessão plenária arrancaram ontem à tarde, com
o Parlamento Europeu a cumprir um minuto de silêncio pela morte de pelo menos
39 pessoas num acidente ferroviário no sul de Espanha, com a presidente da
instituição, Roberta Metsola, a salientar que "a Europa chora com
Espanha".

Na abertura da sessão plenária Roberta Metsola lamentou o
"trágico acidente ferroviário" no sul de Espanha, ocorrido no
domingo, "que já provocou 39 mortes e deixou muitos feridos graves". "As
famílias estão em luto, uma nação está em choque e a Europa chora com a
Espanha. Em nome deste Parlamento, enviamos as mais sentidas condolências e
manifestamos a nossa solidariedade com todos os afetados. Toda a Europa está
com Espanha neste momento de dor profunda", afirmou Metsola.

Após estas declarações, os eurodeputados presentes no
hemiciclo observaram um minuto de silêncio pelas vítimas. A bandeira de Espanha
foi colocada a meia haste.

Gronelândia e Irão na agenda

Na abertura desta sessão plenária, a primeira de 2026,
Roberta Metsola abordou também a situação da Gronelândia, depois de o
Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado que iria impor tarifas
a países europeus que se opuseram à sua pretensão de anexar o território
autónomo que pertence à Dinamarca. "É importante dizer isto: a União
Europeia (UE) apoia a Dinamarca e o povo da Gronelândia e fazemo-lo unidos na
nossa determinação" disse a líder da assembleia, uma declaração que
motivou aplausos de pé por eurodeputados de todos os grupos políticos.

A presidente do Parlamento Europeu considerou que as tarifas
de Donald Trump não vão "melhorar a segurança no Ártico", frisando
que, pelo contrário, "correm o risco de fazer precisamente o
contrário".

"A Gronelândia e a Dinamarca já tornaram claro que a
Gronelândia não está a venda e que a sua soberania e integridade territorial
deve ser respeitada. Esse facto não vai mudar", frisou, salientando que a
Europa está ciente de que precisa de assumir mais responsabilidades pela
segurança do Ártico, mas salientando que isso pode ser alcançado sem
"questionar a soberania da Gronelândia e a Dinamarca através de medidas
como tarifas".

Manifestando-se convicta de que "problemas sérios
globais" são mais facilmente resolvidas quando os Estados Unidos e a
Europa "agem em sintonia", Roberta Metsola frisou que a Europa está
disponível para "dialogar num espírito de respeito mútuo".

"Sei que alguns confundem a nossa forma de agir calma,
moderada e dialogante com fraqueza. Estão enganados. É precisamente o
contrário. Somos a Europa e defenderemos sempre a nossa maneira de agir, de
forma racional, confiante e deliberada, e não vamos pedir desculpa por
isso", frisou.

Roberta Metsola abordou ainda as manifestações que abalaram
o Irão nas últimas semanas, frisando que a população iraniana só está a
"pedir o que qualquer pessoa merece: liberdade, justiça e um futuro em que
possam acreditar".

A presidente do Parlamento Europeu frisou que a instituição
vai continuar a fazer pressão para que se implementem mais sanções contra as
autoridades iranianas e para que a Guarda Revolucionária seja designada uma
organização terrorista.

Também pediu para que o hemiciclo aplaudisse os
manifestantes iranianos.

"Sei que muitos querem recordar os milhares de mortos
nas ruas iranianas. Mas as pessoas do Irão não precisam de silêncio, já foram
silenciadas à força durante 47 anos. Por isso, hoje peço-vos que encham esta
câmara com um momento de aplauso", apelou, com a maioria dos eurodeputados
a aplaudirem de pé.