A camada superior dos solos armazena 45% mais carbono do que se
estimava, conclui um relatório da União Internacional para a Conservação da
Natureza (IUCN) que apela à proteção jurídica do solo, à semelhança da
atmosfera e dos oceanos.
As camadas mais finas do topo do solo são uma solução climática
mais eficaz do que se pensava mas continuam excluídas das políticas climáticas
globais, alerta o relatório da Comissão Mundial de Direito Ambiental da IUCN
(WCEL), da Aroura e do movimento Save Soil, divulgado no mês passado, no dia que se assinalou o Dia Mundial do Solo.
Os dados das organizações indicam que os solos armazenam 2.822
gigatoneladas de carbono no metro superior e que isso significa que os solos
superficiais retêm 45% mais carbono do que as estimativas anteriores.
O relatório denuncia uma persistente marginalização dos solos, da
terra e dos sistemas agrícolas no financiamento climático e nas políticas
climáticas, lembrando que 40% da terra do planeta está degradada, valor que vai
subir para 90% até 2050, segundo a Organização das Nações Unidas para a
Alimentação e a Agricultura (FAO).
"Restaurar a saúde do solo pode ser uma solução imensa para a
mitigação climática e uma ferramenta de sequestro de carbono, mas até que
estabeleçamos caminhos claros e acessíveis para investimentos em grande escala,
os solos permanecerão estruturalmente excluídos das soluções climáticas",
afirmou Praveena Sridhar do Movimento Save Soil, citada em comunicado.
A organização defende que, para manter o limite de 1,5 °C, o
sistema climático deve reconhecer a restauração do solo e da terra como um dos
pilares centrais da estabilidade climática global.
Cerca de 27% das emissões necessárias para manter o aquecimento
abaixo de 2°C podem ser sequestradas em solos saudáveis, segundo o estudo, no
entanto 70% dos países não incluíram a restauração do solo como solução de
mitigação das alterações climáticas nas suas Contribuições Nacionalmente
Determinadas (CNDs), da cimeira do clima COP30.
