Durante seis meses, um homem de 38 anos, residente na área
da grande Lisboa, fingiu ser funcionário da Empresa de Electricidade da Madeira
(EEM) e telefonou para várias empresas clientes para cobrar supostas dívidas. Com
a pressão da ameaça de corte do fornecimento de energia, conseguiu que estas lhe
transferissem 24.181 euros. Foi apanhado pela Polícia Judiciária em 10 de Julho
passado, colocado em prisão preventiva e o Ministério Público (MP) junto da
Comarca da Madeira anunciou ontem o despacho de acusação.
O arguido deverá responder no tribunal do Funchal pela
prática de 23 crimes de burla qualificada, por fazer do engano o seu modo de
vida. De acordo com o MP, os factos ocorreram entre 2 de Dezembro de 2024 e 5
de Junho de 2025. A partir da área da grande Lisboa, onde residia, o arguido,
fazendo-se passar por funcionário da Empresa de Eletricidade da Madeira,
telefonou para várias empresas madeirenses, alegando que as mesmas tinham
dívidas de fornecimento de energia, na ordem das várias centenas de euros. No
mesmo telefonema, depois de dizer que o fornecimento seria cortado se a dívida
não fosse saldada imediatamente, o arguido fornecia referências para pagamento,
referências estas que o mesmo tinha solicitado a plataformas de pagamento
eletrónico e que o tinham a si como destinatário.
As vítimas, com receio de verem a sua actividade empresarial
interrompida devido ao corte de energia, procediam de acordo com o solicitado
pelo arguido, acabando desapossadas das quantias indevidamente pagas.
Na acusação o MP solicita a declaração da perda do valor
obtido com a prática dos crimes, no valor de 24.181 euros.

