O SESARAM afirma que “não há qualquer quebra na resposta
clínica a doentes oncológicos” e garante que “os doentes oncológicos e todos os
utentes da Região são a prioridade absoluta”. As declarações surgem no seguimento da manchete da edição
impressa de hoje do DIÁRIO, em que o nosso matutino dá conta de que a Saúde
está “sem capacidade para TAC de contraste”, indicando que há “doentes
oncológicos com tratamento adiado por falta de TAC”.

Num
comunicado enviado à nossa redacção, diz ser preciso “repor a verdade dos
factos e esclarecer cabalmente a população madeirense”. O SESARAM fala em “afirmações
falsas e irresponsáveis” e diz não ser aceitável que “se procure denegrir o
trabalho dos profissionais de saúde e colocar em causa a confiança dos utentes
num sistema público que trabalha diariamente em prol do utente”.

“Ao
contrário do que é insinuado, não existe atualmente no mercado qualquer
equipamento de Tomografia Computorizada com duas estações de aquisição, tendo
essa tecnologia sido descontinuada a nível global. O que o SESARAM
adquiriu é tecnologia de última geração, que recorre a inteligência artificial,
maior velocidade de aquisição e superior qualidade de imagem”, explica,
acrescentando que “a recente actualização do equipamento TAC central, de 64
para 80 cortes, representa um investimento significativo na modernização
tecnológica, traduzindo-se em ganhos objetivos na rapidez e precisão do
diagnóstico”.

Nesse sentido,
desmente que exista “falta de meios”, mas aponta que se trata de uma “estratégia
consciente de inovação e reforço da capacidade assistencial”. “A nova
tecnologia permite um volume potencial de cerca de 80 exames por dia. Contudo,
qualquer aumento de produção deve ser realizado com responsabilidade,
garantindo a segurança clínica, o respeito pela curva de aprendizagem dos
técnicos e a qualidade dos resultados”, indica, dizendo que “o SESARAM está a
cumprir este processo de forma gradual e responsável”.

“A acusação
de que “assistentes técnicos escolhem doentes” para exames é absolutamente
falsa e lesiva da ética profissional. Todos os exames com contraste exigem, por
lei, a validação e presença médica, bem como a assinatura de consentimento
informado por parte do utente. A triagem é exclusivamente clínica e cumpre
rigorosamente a legislação nacional e os protocolos definidos pelas boas
práticas médicas”, revela o SESARAM.

Quanto ao
relato por parte de entidades externas, dá conta de que, em situações pontuais
de sobrecarga, conforme legalmente previsto, o SESARAM recorrer “a uma
entidade externa devidamente contratualizada, garantindo o relato dos exames
dentro dos prazos estabelecidos. Este contrato inclui cláusulas sancionatórias
em caso de incumprimento, protegendo o interesse dos utentes e assegurando a
continuidade e fiabilidade do serviço clínico. Como dito, o tempo de entrega de
um relatório após realização de uma TAC é em média 1,5 dias”, afiança.

Tal como já
tinha referido em declarações que consta do artigo hoje publicado pelo DIÁRIO, “em
2024, o SESARAM realizou um total de 42.886 TAC”. “Só no primeiro semestre de
2025, já foram efectuados 29.057 TAC, evidenciando uma actividade assistencial
consistente e em crescimento”, realça. “Estes números comprovam que ambos os
equipamentos – o instalado no Serviço Central de Radiologia e Neurorradiologia,
com funcionamento regular de segunda a sexta-feira, e o existente no Serviço de
Urgência, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana – estão plenamente
operacionais e ao serviço da população”, considera.

“Ao
contrário do que sugere o artigo em causa, não há qualquer quebra na resposta
clínica a doentes oncológicos. Há, sim, um sistema em modernização, sustentado
na competência dos seus profissionais e na orientação estratégica de um Governo
que prioriza a Saúde com rigor, transparência e investimento”, termina, acrescentando
ainda que “o SESARAM apela à responsabilidade social e ética na abordagem
pública dos temas da saúde. Notícias que desinformam e alarmam, com base em
denúncias e que são tratadas como factos consumados, em um setor tão sensível
como este, colocam em causa o trabalho de centenas de profissionais e, acima de
tudo, desrespeitam os utentes”.