Os chefes de Estado de Portugal e da Alemanha prometeram hoje
apoio contínuo à Ucrânia perante a invasão da Rússia, recordando uma frase de
Willy Brandt de que "a paz não é tudo, mas, sem paz, tudo é nada".
Depois de, esta manhã, se terem reunido no Palácio Bellevue,
residência oficial do Presidente alemão, os dois chefes de Estado voltaram a
encontrar-se esta tarde nos jardins do mesmo edifício, para a cerimónia de
abertura do festival Bürgerfest (Festa dos Cidadãos, em português), uma
iniciativa cidadã que conta este ano com Portugal como país convidado.
Num discurso nessa cerimónia, o Presidente alemão, Frank-Walter
Steinmeier, salientou que Portugal e a Alemanha são países ligados por
"uma estreita amizade" e ele próprio tem uma "amizade
pessoal" com Marcelo Rebelo de Sousa, "o que não é muito comum na
política".
Depois, aludindo ao facto de Marcelo Rebelo de Sousa terminar o
seu mandato de Presidente da República em março de 2026, Steinmeier salientou
que esta é a sua "visita de despedida à Alemanha" e fez um balanço.
"Fico feliz em poder dizer que a nossa cooperação ao longo de
todos estes anos sempre foi marcada pelo diálogo, pela proximidade, confiança
política e, acima de tudo, por um claro compromisso com a Europa",
destacou.
Para o chefe de Estado alemão, esses são elementos que,
"especialmente em tempos difíceis, nunca são suficientemente
valorizadas".
"O senhor Presidente sabe, todos nós sabemos, que a paz é uma
ideia. Os europeus estão hoje a ser mais contestados do que nunca. A guerra de
agressão da Rússia e as forças populistas na Europa ameaçam a nossa liberdade,
pelo que é ainda mais importante que nós, europeus, ajamos hoje de forma
unida", pediu, agradecendo a Portugal pelo apoio que tem dado à Ucrânia.
Este tema foi abordado igualmente abordado por Marcelo Rebelo de
Sousa no seu discurso, em que, entre palavras em português e alemão, frisou que
a Alemanha e Portugal "são fortes aliados na União Europeia, na NATO e nas
Nações Unidas, bem como importantes parceiros económicos".
"Estamos sempre juntos com a Ucrânia. Sempre. Nunca vamos
esquecer a Ucrânia", assegurou, frisando que Portugal e a Alemanha
"são países amigos que partilham e praticam os mesmos valores e princípios
fundamentais: a paz, a democracia, a liberdade de expressão, a dignidade, os
direitos humanos".
"Devemos continuar a guiar-nos pelas palavras do Prémio Nobel
da Paz [de 1971], Willy Brandt: a paz não é tudo, mas, sem paz, tudo é
nada", disse, recebendo um forte aplauso da plateia que o ouvia.
Após estas palavras, o Presidente da República destacou a
importância das relações bilaterais entre Portugal e a Alemanha, destacando em
particular o peso dos turistas alemães na economia portuguesa.
"Se desejarem visitar o nosso país, o Turismo de Portugal
ajuda-vos a decidir para onde rumar: norte, sul, litoral, montanha ou as
deslumbrantes ilhas da Madeira e dos Açores", desafiou Marcelo Rebelo de
Sousa.
Após este discurso, o qual o Presidente alemão apresentou as
condolências a Portugal pelo acidente do Elevador da Glória, os dois chefes de
Estado percorreram o recinto da Bürgerfest, nos jardins da residência oficial
do Presidente alemão, tendo tirado 'selfies', parado em bancas como a do
Turismo de Portugal ou do Oceanário de Lisboa.
Na banca da Federação Portuguesa, onde estava patente a taça da
Liga das Nações conquistada por Portugal em junho, Marcelo Rebelo de Sousa
ofereceu a Steinmeier uma camisola da seleção nacional com o seu nome e o
número 7, assinada por Cristiano Ronaldo.
Apesar de não ter parado para comer hambúrgueres, "o
lapso" do líder do Chega -- que confundiu a Bürgerfest com um
"festival de hambúrgueres" -- acabou por não passar despercebido, com
um cidadão português a dirigir-se ao Presidente da República e a perguntar-lhe
se já tinha comido hambúrgueres. Marcelo Rebelo de Sousa pareceu não ouvir.