Eram 10:10, soou o toque de entrada na Escola Básica e Secundária de Machico, assinalando o início do ano lectivo 2025/2026. Mas para o secretário Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, este toque teve um significado diferente.
Jorge Carvalho deixa hoje o cargo, que ocupou nos últimos 10 anos, para entrar em campanha como cabeça-de-lista da coligação PSD/CDS à Câmara Municipal do Funchal nas Eleições Autárquicas de 12 de Outubro.
“Nestas coisas não podemos ser saudosistas. A partir do dia de amanhã o meu foco estará noutro projecto. O meu empenho estará nesse mesmo projecto, com o objectivo de concretizar as ideias que temos para servir a cidade do Funchal“, afirmou ao DIÁRIO o governante.
A apresentação oficial da sua candidatura está marcada para 16 de Setembro, às 18h00, no Jardim Municipal do Funchal.
Jorge Carvalho, de 56 anos, integra os governos de Miguel Albuquerque desde 2015, ocupando sempre a pasta da Educação.
O balanço é “positivo” e o sentimento dominante de “dever cumprido”, assume Jorge Carvalho, realçando a transição digital como marcas do seu mandato.
[A transição digital] foi efectivamente
um dos desafios que nós assumimos. Fizemo-lo sempre com a consciência de que
era necessário ter um ecossistema que ia muito além de derramar tecnologia na
escola. Portanto, não chegava termos computadores, era necessário preparar as
escolas do ponto de vista infraestrutural para que toda a rede pudesse suportar
toda essa nova capacidade digital e tecnológica e era necessário formar os
professores, por isso é que fomos implementando este projecto paulatinamente,
ano após ano. Concluímos, como estava previsto, no presente ano lectivo (...). Todos os alunos do 5.º ao 12.º ano, de todas as escolas básicas e secundárias, a partir deste
momento podem usufruir dos respectivos manuais digitais de
forma gratuita
Outro aspecto destacado - não só por Jorge Carvalho, mas também pelo presidente do Conselho Executivo da Escola Básica e Secundária de Machico, José Maria Dias - foi a recuperação integral do tempo dos professores, o que contribuiu, na óptica do ainda titular da pasta da Educação, para que não se verifique falta de professores na Região no regresso às aulas.
Esse compromisso com
os professores visava, acima de tudo, não só repor essa mesma recuperação, mas
acima de tudo criar as condições para que os professores continuassem empenhados
e motivados a fazer aquilo que melhor sabem fazer e que a sociedade espera, que
é preparar as novas gerações. Não temos muitas
reservas de que efectivamente isso contribui para que os professores se sentissem
reconhecidos e desse reconhecimento se envolvessem de forma mais significativa. Fica difícil pensarmos
a escola quando as pessoas estão na rua
Tivemos a oportunidade de modernizar a Escola com equipamentos
adequados à função pedagógica, estabelecer redes de comunicação na Escola para
poder trabalhar com os manuais digitais. Portanto, para as escolas foi um
mandato de excelência. Mas além disso, para os professores tivemos aqui um período
de recuperação do tempo de serviço, que foi fundamental (…). Foi isso que
permitiu que a classe de docente pudesse progredir e recuperar quase o tempo de
serviço para a maioria
“Foi muito gratificante servir a Educação na Região”, vincou de forma emotiva (pese embora as declarações que rejeitam saudosismos). Uma missão que termina precisamente na primeira escola onde Jorge Carvalho deu aulas no ano lectivo 1989/90.
Elsa Fernandes, professora Associada da Faculdade de Ciências Exatas e da Engenharia, vai assumir a Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, sucedendo, assim, a Jorge Carvalho, na composição do XVI Governo da Região Autónoma da Madeira.
O secretário cessante desejou-lhe “os melhores sucessos”.
Sobre Jorge Carvalho
Jorge Carvalho nasceu na freguesia do Porto da Cruz, concelho de Machico, em 1968. Casado, é pai de duas filhas e reside no Funchal, é licenciado em Educação Física pela Universidade da Madeira e Mestre em Gestão do Desporto.
Envolvido desde jovem na política, foi o primeiro presidente da direção da Associação Académica da Universidade da Madeira, cargo que exerceu durante quatro anos (1991-1995). Mais tarde desempenhou o cargo de Provedor do Estudante desta Universidade (2011-2015). Foi presidente da Junta de Freguesia de São Gonçalo (2005-2007).
O seu percurso profissional divide-se entre o exercício de funções docentes e de cargos na Administração Pública da Região Autónoma da Madeira.
Entre 1997 e 2001 foi vice-presidente do conselho directivo da Escola Secundária Jaime Moniz, estabelecimento de ensino a que voltaria a estar vinculado, com funções docentes e dirigentes, entre 2011 e 2015. Entre 2001 e 2011 desempenhou várias funções em organismos com tutela na área da Juventude, tendo sido vogal do conselho directivo do Instituto da Juventude da Madeira e director regional de Juventude.
Foi responsável pela pasta da Educação nos XII (2015-2019), XIII (2019-2023) e XIV (2023-2024) Governos da Região Autónoma da Madeira.

